Eu juro pra vocês que eu adoraria ser mais moderado. Usar discursos polidos, suaves, meio blasé. Pessoas poderiam dizer “ah, que rapaz sensato, centrado, desapegado a paixões, vê todos os lados das questões.” Não consigo. Correndo o risco de beirar a histeria para alguns, eu só consigo chamar certas coisas de crime. Pensei em eufemismos, mas pra mim não tem outro nome, é crime mesmo. Ou dá pra chamar de outra coisa o que a Folha fez quando atribuiu à Dilma uma ofensa que ela não proferiu? É difamação pura e simples. Em discurso no ABC, Dilma disse: “Eu não fujo quando a situação fica difícil. Eu não tenho medo da luta.” A Folha publicou exatamente estas frases, seguidas de: “disse ela, em referência à ditadura, quando foi para a clandestinidade. Serra, também opositor ao regime militar, se exilou no Chile”. Já o Estadão publicou: “A declaração de Dilma Rousseff em referência à luta armada contra a ditadura militar, [...] na tentativa de atingir o adversário José Serra, criou polêmica.” A Imprensa criou polêmica, não a candidata.
As declarações de Dilma até remetiam mesmo à Ditadura, pois este foi um momento marcante da vida da candidata. Mas não foi o único, Dilma falou em termos genéricos, de sua vida como um todo, e não fez referências a terceiros. Publicar que ela estava alfinetando Serra por ele ter se exilado é de uma distorção brutal! A Folha manteve a versão em outras matérias: PPS critica comentário de Dilma sobre exilados da ditadura. Nem um “supostamente sobre exilados”, nem um “outro lado” ao longo da matéria, só desqualificação. O texto é objetivo e totalitário. O jornal decreta que era em Serra que Dilma estava pensando quando fez a declaração e ponto final. A Folha chegou a publicar: Após polêmica, Dilma nega ter criticado exilados políticos da ditadura. Ou seja, além de ter proferido um disparate que acabou gerando polêmica, agora a petista “quer negar”. Na verdade, a Folha chegou a alterar as frases da Dilma, entre aspas. Na seção Erramos: “Em parte dos exemplares, foi publicado erroneamente que a pré-candidata do PT à Presidência disse, em evento em São Bernardo no último sábado: ‘Eu não fugi da luta e não deixei o Brasil’.”
Após um bom tempo, o jornal admitiu que a candidata “não se referiu em nenhum momento a pessoas que tiveram de deixar o país em qualquer circunstância”. A Folha admite o erro, para em seguida cometer outros ainda mais graves. Não apenas a Folha, como outros órgãos de Imprensa fizeram um estardalhaço com a foto de Norma Bengell no site de Dilma, que leva os internautas a confundirem uma pela outra. De fato, também penso que foi uma artimanha amadorística e condenável. Pois bem, os jornalistas não mediram as palavras e atacaram a presidenciável petista moralmente, ainda que o erro tenha sido mais da coordenação da campanha. Ainda assim, a responsável em última instancia é a candidata, e a mídia cobrou com rigidez. José Nêumanne Pinto, em artigo no Estadão, atacou Dilma com virulência. Mais do que isso, a Folha chegou crucificar a própria Norma Bengell, depois que a atriz declarou que não se importava com a utilização da foto pelo site da Dilma e acrescentou que quer mais que a petista ganhe as eleições. A Folha, em 28 de abril, publicou carta de um leitor com a seguinte acusação:

Toda esta história da foto no site de Dilma, por pior que seja, é mais grave que a campanha de natureza fascista que o PSDB vem desenvolvendo este ano na Internet? Nunca se viu um nível de baixaria tão institucionalizado e organizado, como a que os tucanos têm praticado. Eduardo Graeff, tesoureiro do PSDB e estrategista da campanha de Serra, foi descoberto como responsável por sites apócrifos, destinados a pura baixaria eleitoral. Domínios como "petralha.com.br" ou “gentequemente.org.br”, que o PT já denunciou à Justiça. A Folha tratou do caso também! Mas, aí o texto perde aquele tom assertivo e totalitário, e adota cautela: “Petistas acusam coordenador de Serra de comandar "guerra suja" na internet.” A princípio, é apenas uma “acusação petista”. Ao longo do texto, agora sim, o “outro lado”, com o devido direito à defesa. E tudo isso só no primeiro ato do espetáculo eleitoral. Tenho cada vez mais dificuldade em pensar uma forma pacifica e civilizada de convivência com determinados veículos de comunicação. Liberdade de expressão é sagrada, desde que não funcione como álibi para práticas antidemocráticas e até mesmo criminosas.
As declarações de Dilma até remetiam mesmo à Ditadura, pois este foi um momento marcante da vida da candidata. Mas não foi o único, Dilma falou em termos genéricos, de sua vida como um todo, e não fez referências a terceiros. Publicar que ela estava alfinetando Serra por ele ter se exilado é de uma distorção brutal! A Folha manteve a versão em outras matérias: PPS critica comentário de Dilma sobre exilados da ditadura. Nem um “supostamente sobre exilados”, nem um “outro lado” ao longo da matéria, só desqualificação. O texto é objetivo e totalitário. O jornal decreta que era em Serra que Dilma estava pensando quando fez a declaração e ponto final. A Folha chegou a publicar: Após polêmica, Dilma nega ter criticado exilados políticos da ditadura. Ou seja, além de ter proferido um disparate que acabou gerando polêmica, agora a petista “quer negar”. Na verdade, a Folha chegou a alterar as frases da Dilma, entre aspas. Na seção Erramos: “Em parte dos exemplares, foi publicado erroneamente que a pré-candidata do PT à Presidência disse, em evento em São Bernardo no último sábado: ‘Eu não fugi da luta e não deixei o Brasil’.”
Após um bom tempo, o jornal admitiu que a candidata “não se referiu em nenhum momento a pessoas que tiveram de deixar o país em qualquer circunstância”. A Folha admite o erro, para em seguida cometer outros ainda mais graves. Não apenas a Folha, como outros órgãos de Imprensa fizeram um estardalhaço com a foto de Norma Bengell no site de Dilma, que leva os internautas a confundirem uma pela outra. De fato, também penso que foi uma artimanha amadorística e condenável. Pois bem, os jornalistas não mediram as palavras e atacaram a presidenciável petista moralmente, ainda que o erro tenha sido mais da coordenação da campanha. Ainda assim, a responsável em última instancia é a candidata, e a mídia cobrou com rigidez. José Nêumanne Pinto, em artigo no Estadão, atacou Dilma com virulência. Mais do que isso, a Folha chegou crucificar a própria Norma Bengell, depois que a atriz declarou que não se importava com a utilização da foto pelo site da Dilma e acrescentou que quer mais que a petista ganhe as eleições. A Folha, em 28 de abril, publicou carta de um leitor com a seguinte acusação:

é
ResponderExcluirta tudo se perdendo
até na internet chegaram