sábado, 14 de novembro de 2009

O apagão, a política e a mídia.

De todas as coberturas prejudiciais à imagem de Dilma, se a menor dúvida, esta sobre o apagão é a de maior poder de fogo. Nem Dossiê da Casa Cívil, nem Lina Vieira, nem currículo “falso”, causaram um prejuízo sequer próximo ao que pode ser causado pelo apagão. Pode-se dizer que o Governo vinha navegando em um verdadeiro mar de rosas. Um presidente extremamente popular, programas e realizações importantes e aprovados pela população, um prestígio internacional sem precedentes, tudo isso coroado com as conquistas dos dois eventos mundiais mais importantes: Copa do Mundo e Jogos Olímpicos. O apagão significou uma turbulência no mar de rosas do Governo. Não acho que este incidente vá alterar a decisão de voto dos brasileiros, mas representa um percalço na trajetória petista pela presidência. Especialmente, por causa da extensão do blecaute. A depender de como o incidente será retratado na mídia, o percalço pode converter-se em uma mancha e ter reverberações sobre as eleições de 2010. E qual tem sido o enfoque predominante na mídia? Eis:



Claro que esta é apenas uma matéria, de um jornal. Mas é o jornal mais importante, e este discurso também está em outros telejornais, nos principais jornais impressos, nos principais sites de notícias etc. Há questionamentos que devem ser feitos sobre os mecanismos de proteção do nosso sistema elétrico? Sim, há. É verdade que a versão do Governo, de que o apagão foi causado por fatores meteorológicos, apresenta falhas e sugere vulnerabilidades? Sim, é verdade. Partir do pressuposto de que chuvas e raios podem deixar mais da metade do país sem luz é bastante preocupante, de fato. Dilma foi Ministra de Minas e Energia, trabalhou no modelo de gestão do Sistema Elétrico brasileiro, e afirmou pouco tempo atrás que tinha uma certeza: “de que não vai ter apagão”. E isto, é verdade? Sim, é tudo verdadeiro. Mas também é verdade que o Sistema Interligado, que pode ter permitido o alastramento do apagão por 18 estados, é considerado o mais adequado para o nosso país. No Brasil, enquanto o Nordeste enfrenta chuva, o Sul e o Sudeste podem passar por secas. Por isso, é importante que usinas hidrelétricas e termelétricas estejam conectadas por grandes linhas de transmissão.

Também é verdade que Dilma, quando disse que não teríamos apagões, estava se referindo aos investimentos que este Governo fez, como dezenas de quilômetros de linhas de transmissão, além da Hidrelétrica de Santo Antônio e a Usina de Jirau. Ao contrário da gestão anterior, que foi incompetente, não se planejou e de repente o Brasil consumia mais energia do que podia produzir (e olha que a Economia tinha um desempenho pífio). O resultado foi o racionamento de energia que os brasileiros tiveram que enfrentar. Concretamente, são duas situações muito diferentes. Entretanto, nada disto impediu Eliane Cantanêde, da Folha, de chegar à seguinte conclusão: “Uma das críticas que governo do PT sempre fez ao governo de Fernando Henrique Cardoso é sobre o apagão de 1999. Agora a gente tem apagão contra apagão, sendo que, neste caso, bate diretamente na candidata Dilma Rousseff”. Cantanhede foi tendenciosa na melhor das hipóteses, e sórdida na pior. Atribuir o apagão à imagem da Ministra Dilma tem evidentes e importantes implicações eleitorais.

Não vou dizer que as implicações eleitorais foram a motivação dos jornalistas, quando optaram pelo viés político na cobertura, mas eles têm perfeita consciência destas implicações. Esta politização do debate não é proibida. A declaração da Ministra de que não haveria apagão é noticiável, não há nada de errado com a veiculação em si deste fato. O primeiro problema é a reprodução e o reforço do discurso cascateiro da Oposição, em detrimento da melhor compreensão do episodio. É claro que há muitas questões pertinentes: Não havia formas de isolar a pane (fazer o chamado ilhamento)? Não teria como construir linhas reservas para estes casos? É possível, viável, custa muito caro? E o Governo não deve temer este debate. Ao contrário, encarar os questionamentos – que certamente continuarão – é a melhor saída. Nisto, o presidente Lula tem sido de uma inteligência ímpar. As declarações do presidente estão sendo no sentido de admitir possíveis falhas, buscar os aprimoramentos necessários, e informar sobre os avanços do setor elétrico nos últimos anos. Pena que nem todas as lideranças do Governo têm esta mesma sensibilidade e sensatez, diante da irritação e desconfiança da população.

O segundo problema da politização do debate é que ela só aparece quando compromete um campo político. Vejam por exemplo as matérias do mesmo JN sobre o acidente no Rodoanel, em que gigantescas vigas de concreto caíram sobre cidadãos. Por muito pouco, ninguém morreu. Absolutamente, não há viés político-eleitoral nas matérias. A cobertura se dá em um nível técnico, sóbrio. A Oposição – que norteou boa parte das matérias sobre o apagão – foi ignorada nas matérias sobre o acidente no Rodoanel. Uma obra que é tida como a menina dos olhos da gestão Serra, e que está prevista para ser entregue exatamente no período em que o Governador precisa de descompatibilizar do cargo para disputar a presidência. Também foi assim com a cratera no metrô, em 2007. Este tem sido um padrão: há cobertura com viés político-eleitoral, contra o Governo Federal, por qualquer Lina Vieira ou tapioca. Contra as administrações tucanas – de presidenciáveis, e nos estados mais importantes – coberturas técnicas. Qual foi a grande crise política que Serra ou Aécio tiveram de enfrentar? Quem conseguir citar uma ganha um presente...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Lula: subperonista, autoritário popular e analfabeto

O presidente Lula nada de braçada na política, de maneira que, como causa ou como conseqüência, a oposição mostra-se tímida, desarticulada e sem agenda. Por incrível que pareça, os principais candidatos oposicionistas à sucessão do atual Governo não assumem a linha de frente das críticas à gestão petista. Ao contrário, raramente Serra ou Aécio assumem um papel de antagonistas do Governo Federal, a não ser que estejam falando para dentro do PSDB. Publicamente, nenhum quer fazer frente ao presidente. Isso tem uma razão evidente: a popularidade de Lula, que intimida qualquer adversário. Assim, o papel da oposição, muitas vezes, é exercido pelos líderes do PSDB / DEM no Congresso; por órgãos como o TCU – que barrou obras importantes do mais badalado Programa do Planalto, o PAC – pela Imprensa; ou ainda pelo presidente do STF, Gilmar Dantas. Para reforçar o coro, o ex-presidente Fernando Henrique publicou artigo em O Globo e no Estadão, fazendo duras críticas ao Lula.

FHC acredita que o PT conduz o Brasil para um autoritarismo popularesco ou “subperonista”, com partidos e sociedade civil neutralizados, organizações sociais cooptadas e empresariado dependente do capital controlado pelo Estado. O líder tucano diz ainda que Lula não aceita críticas, e tentar matar moralmente os adversários. O jornalista Alon Feuerwerker escreveu em seu Blog que o PT caiu como um pato na armadilha de FHC, uma vez que respondeu ao artigo, praticando exatamente aquilo que foi objeto da crítica: os petistas “armaram o pelotão de fuzilamento”, buscaram a todo o momento desqualificar moralmente o adversário e não ofereceram argumentos ao mérito do debate. O próprio Lula afirmou que FHC é movido pelo inconformismo com o sucesso do Governo. Por pior que tenha sido a reação do PT, as críticas de FHC realmente me parecem por demais abstratas, vagas e de difícil assimilação pela maioria da população. O texto não trata de questões específicas, materiais ou que possam ser percebidas no cotidiano do brasileiro, é tudo muito intelectualizado.



O discurso pode surtir efeito sobre os públicos dos jornais – que já são majoritariamente “anti-Lula”. Mas o tiro pode sair pela culatra, quando considerada a disputa política como um todo. É fato que qualquer polarização pública entre FHC e Lula serve monstruosamente ao projeto petista. Claro que isto não exime o PT da necessidade de elaborar uma resposta decente, mas a percepção que a população tem da gestão FHC é acentuadamente negativa. E não é à toa. Kennedy Alencar, em sua Pensata desta semana, lembra que, nos mandatos federais do PSDB, “os fundos de pensão das estatais foram usados politicamente para a formação de consórcios privados que arremataram empresas públicas” – o que tornou gente como Daniel Dantas verdadeiros magnatas. “O Estado, naqueles anos, atuou no limite da irresponsabilidade, como disse Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil que ficou muito rico nos anos FHC. A Força Sindical, hoje nos colos de Lula, era massa de manobra do PSDB. A aliança com o PFL, hoje DEM, não difere muito da firmada pelo PT com o PMDB”.

Kennedy foi preciso, mas eu iria mais longe. Por mais que o PMDB e outros partidos da base aliada de Lula abriguem em seus quadros verdadeiras escórias da política brasileira, como Renan, Collor ou Sarney; o PFL, além de ter políticos da mesma laia, é o grande herdeiro da Ditadura deste país! Isto nunca é discutido! O partido da Ditadura militar foi subdividido no PFL (hoje, DEM) e no PP (Partido Progressista). Mas o DEMocratas pode ser considerado “o filho preferido”, pois herdou as máquinas eleitorais do Nordeste – simbolizada pelo finado ACM – e o programa partidário da aristocracia sulista – capitaneada pelo Jorge Bornhausen. A diferença entre as alianças do PT com o PMDB e do PSDB com o PFL é que a primeira é diariamente crucificada pela Imprensa e pela classe média brasileira, enquanto a segunda é naturalizada e tomada por adequada Hoje, o PT carrega, de maneira generalizada, a marca da contradição, da incoerência e da permissividade; o PSDB / DEM posa de defensor da moralidade e combatente da corrupção.

Kennedy lembrou ainda que FHC nomeou um procurador-geral da República que ficou conhecido como engavetador-geral da República. Resumindo: quem é o Fernando Henrique para criticar Lula por não respeitar preceitos democráticos? O Governo do PT, em muitos aspectos, representa avanços nas práticas republicanas. Na mesma semana, Caetano Veloso, que declarou voto em Marina Silva, chamou o presidente Lula de analfabeto. Esse tipo de crítica, realmente não tem como transigir. O presidente Lula, pode ter defeitos, mas é um dos grandes políticos brasileiros. Ataques como o de Caetano revelam preconceito e têm de ser colocados no seu devido lugar, o que foi feito pelos próprios jornalistas, em sua maioria. A melhor análise, por incrível que pareça, ficou por conta do Josias de Souza, que citou o próprio Caetano: “Quiseste ofuscar minha fama / E até jogar-me na lama / Só porque eu vivo a brilhar / Sim, mostraste ser invejoso / Viraste até mentiroso / Só para caluniar / Deixe a calúnia de lado / Se de fato és poeta / Deixe a calúnia de lado / Que ela a mim não afeta.

sábado, 31 de outubro de 2009

Especial Eleições 2010 - Possibilidades (Norte / Centro-Oeste)






CAMPO GOVERNISTA
Ana Júlia Carepa – PT (atual governadora)
+
Jader Barbalho – PMDB (deputado federal)

CAMPO OPOSICIONISTA
Simão Jatene – PSDB (ex-governador)
ou
Mário Couto – PSDB (senador)

Ana Julia terá dificuldade na busca pela reeleição, pois pode enfrentar dois candidatos muito fortes. Jader ainda pode ser dissuadido da disputa pelo executivo, disputando o Senado – ou mesmo a Câmara, em que teria eleição garantida. Entretanto, pesquisas para consulta interna de alguns partidos apontam Jader como líder nas preferências para o Governo. Ainda que estas pesquisas tenham validade, a rejeição ao cacique PMDBista é enorme, especialmente na capital, Belém. Isto pode inviabilizar a corrida de Jader por um cargo mais importante. Experiente, o deputado não desconsidera esta realidade, e pode abrir mão da candidatura ao executivo. Neste caso, o mais provável é que o PMDB apóie a governadora Ana Júlia. Do lado da oposição, os tucanos estão em clima de verdadeira guerra, para decidir entre o ex-governador Simão Jatene e o Senador Mário Couto. Almir Gabriel,
espécie de cardeal e primeiro governador do PSDB, trabalha fortemente por Couto. Este clima de disputa interna deve permanecer no ninho tucano paraense por mais um bom tempo. E não é possível descartar totalmente uma candidatura própria do DEM, no estado. Valéria Pires Franco seria o nome dos DEMocratas. Entretanto, o mais provável é que os dois partidos oposicionistas caminhem juntos.

Senado: Jader, caso não dispute o Governo, pode disputar o Senado. Pelo PT, o deputado federal Paulo Rocha, provavelmente buscará tornar-se Senador. Pela oposição, caso Mário Couto seja o candidato ao executivo, Jatene pode tentar o Senado. Valéria, que dificilmente buscará o Governo, também pode entrar nesta disputar.





CAMPO GOVERNISTA
Alfredo Nascimento – PR (senador e Ministro dos Transportes)
+
Omar Aziz – PMN (atual vice-governador)

CAMPO OPOSICIONISTA
Serafim Corrêa – PSB (ex-prefeito de Manaus)

O Governador Eduardo Braga, do PMDB, buscará fazer um sucessor. O candidato pode ser o Ministro dos Transportes e Senador licenciado, Alfredo Nascimento, do PR. O Planalto Central trabalha por esta candidatura. Hoje, o Ministro tem um bom desempenho nas pesquisas, apesar de não liderar. O desempenho do prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, é superior, mas Amazonino já declarou que não disputará o governo, e que considera Alfredo preparado para administrar o Amazonas. Considerando as popularidades do prefeito, do Governador e de Lula, no Amazonas, Alfredo teria grande potencial. Entretanto,o prefeito Amazonino é imprevisível; e muitos afirmam que o próprio Governador pode abandonar o Ministro e lançar o seu vice, Omar Aziz, do PMN. Neste caso, Alfredo Nascimento ficará bastante dependente do PT, para aumentar seu tempo de televisão e viabilizar-se. O destino dos petistas dependerá de quem vencer as eleições internas para o diretório estadual, que acontecem em novembro. Uma ala do PT prefere caminhar com o PMDB, mesmo que o candidato seja o vice-governador, outra ala está mais alinhada com o Ministro do PR, conforme preferência do Governo Federal. PSDB / DEM / PPS estarão do lado oposto para oferecer uma alternativa ao Governo do estado e levantar um palanque para Serra. Entretanto, estes três partidos não contam com um nome de peso para a disputa. Por isso, o candidato da oposição pode ser o ex-prefeito de Manaus, Serafim Corrêa, que é do PSB. Especula-se também que o Governador Eduardo Braga pode entrar em um acordo com Serra. Assim, PSDB / DEM / PPS fechariam com o vice-governador, Omar Aziz, que apoiaria o presidenciável tucano. Na minha avaliação, esta possibilidade é remota.

Senado: Eduardo Braga será mais um governador a tentar o Senado, é o líder das pesquisas e deve ter uma vitória tranqüila. Arthur Virgilio Neto, líder do PSDB, buscará a reeleição. Estes são os grandes favoritos para as duas vagas, até agora. Mas a deputada federal pelo PC do B, Vanessa Grazziotin, também almeja o Senado, e tem um desempenho razoável nas pesquisas, próximo ao desempenho do tucano. Se a deputada conseguir articular sua candidatura entre grandes partidos, pode acirrar a disputa. Entretanto, como o PC do B é um partido menor, pode ser que outras legendas fiquem com as vagas das chapas com maior potencial.





CAMPO GOVERNISTA
Agnelo Queiroz – PT (ex-deputado federal, ex-Ministro dos Esportes)
+
Gim Argello – PTB (senador)

CAMPO OPOSICIONISTA
José Roberto Arruda – DEM (atual governador)
+
Joaquim Roriz – PSC (ex-governador, ex-senador)

Arruda governa o Distrito Federal sem maiores turbulências, e é o grande favorito para 2010. A preço de hoje, o ex-PMDBista Roriz é quem ainda consegue fazer frente ao favoritismo do governador. Entretanto, o
cacique trocou a maior legenda brasileira pelo nanico PSC, depois que o PMDB do DF passou a mostrar maior fidelidade a Arruda. Isto tem implicação direta no tempo de televisão de Roriz. Claro que o futuro candidato pelo PSC tem um grande reduto eleitoral, e uma força política que independe do partido, mas o espaço nas grandes mídias tem determinado os desempenhos dos candidatos. Por isso, acredito que a candidatura de Roriz, ainda que comece por cima, tenderá a minguar durante a disputa. Assim, se o candidato do PT não conseguir crescer, pode ser que Arruda feche a conta no primeiro turno.

Senado: O Senador Cristovam Buarque, do PDT, disputará a reeleição, e pode compor tanto a chapa do Governador DEMocrata, quanto a dos petistas. O deputado Tadeu Filippelli, do PMDB, um dos maiores responsáveis pela “traição” a Roriz, pode disputar o Senado, apesar de que seu nome também é cogitado para vice de Arruda. Quadros do DEM, como o do Senador Adelmir Santana e do deputado distrital Alberto Fraga, também têm interesse na vaga. Pelo PT, o deputado federal Geraldo Magela deve entrar na disputa.





CAMPO GOVERNISTA
Íris Rezende – PMDB (atual prefeito de Goiânia)
+
Alcides Rodrigues – PP (atual governador)

CAMPO OPOSICIONISTA
Marconi Perillo – PSDB (senador, ex-governador)

O atual governador, do PP, está unindo forças com o prefeito de Goiânia e ex-governador, Íris Rezende, do PMDB, para derrotar o tucano Marconi Perillo.
Alguns apostam até na possibilidade de o governador abrir mão da sua reeleição para apoiar Íris Rezende já no primeiro turno. Atualmente, Perillo, que governou Goiás de 1998 a 2006, figura como favorito na disputa.

Senado: Os três senadores de Goiás são do Campo Oposicionista. Um deles é Marconi Perillo, os outros dois são Demóstenes Torres, do DEM, e Lúcia Vânia, do PSDB, que buscarão a reeleição. São os favoritos neste momento. O Presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, também disputará o Senado, pelo PMDB.

Especial Eleições 2010 - Possibilidades (Nordeste)






CAMPO GOVERNISTA
Cid Gomes – PSB (atual governador)

CAMPO OPOSICIONISTA
Tasso Jereissati – PSDB (senador)
ou
Alexandre Pereira – PPS (empresário)

A eleição no Ceará está entre as mais previsíveis. Cid Gomes não enfrentará maiores dificuldades para se reeleger. Até mesmo porque não há nome na oposição com o mínimo de envergadura política para fazer frente ao Governador. Os adversários que Cid enfrentará surgirão muito mais pela necessidade de palanques para os candidatos à presidência, do que por um real movimento oposicionista. Cid tem na sua base aliada o PT, que tem o vice-governador, e o PSDB, bastante fiel ao executivo cearense. Diante disso, os tucanos só abandonarão o barco do Governador por circunstâncias externas, ou seja, pela necessidade de montar um palanque para fortalecer a candidatura de Serra no estado. Não há nomes fortes para isso. Será uma candidatura para “cumprir tabela”. Tasso Jereissati, tucano mais proeminente do Ceará, pode disputar o Governo (é quem mais tem condições de disputar com Cid), mas me parece mais provável que Tasso busque a reeleição ao Senado. Outro nome cogitado pela aliança PSDB / DEM / PPS, para disputar o executivo, é o do empresário Alexandre Pereira, do PPS. O PT sofre um dilema parecido. Se Ciro for lançado pelo PSB à presidência, claro que terá o apoio do irmão. Por isso, o PT – a contra gosto – pode ter que lançar candidato próprio para fazer o palanque de Dilma. Um nome petista cotado para esta missão é o de Ilário Marques. A maior estrela do PT no estado, a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, já avisou que não disputará o Governo, por lealdade a Cid Gomes. O Ministro da Previdência, José Pimentel, também do PT, almeja o Senado. Há um coringa na sucessão cearense: o prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa, do PR. Pessoa dialoga com o bloco PSDB / DEM / PPS para ser o candidato de Serra; mas o PR é aliado do Governo Federal, sendo mais natural um apoio do prefeito à Dilma. Em Ciro saindo à presidência, e o PT precisando de um palanque para Dilma, poderia ocorrer uma aliança dos petistas com o candidato do PR.

Senado: O Senador Tasso Jereissati deve disputar a reeleição. O cacique tucano já foi governador do Ceará por 3 vezes, e é sempre um candidato muito forte. Entretanto, os candidatos do Governador Cid Gomes devem crescer fortemente durante a campanha. A princípio, eles são Eunício Oliveira, deputado federal pelo PMDB, e José Pimentel, do PT, Ministro da Previdência. O apoio de Cid, somado ao apoio de Lula, têm um apelo quase que invencível. O ex-governador, Lúcio Alcântara, também pode participar deste pleito. A Senadora Patrícia Saboya, do PDT, deve buscar um mandato na Câmara Federal.





CAMPO GOVERNISTA
Eduardo Campos – PSB (atual governador)

CAMPO OPOSICIONISTA
Jarbas Vasconcelos – PMDB (senador)
ou
Mendonça Filho – DEM (ex-governador)
ou
Raul Henry – PMDB (deputado federal)

Em Pernambuco, Eduardo Campos, do PSB, também não deve encontrar grandes dificuldades para sua reeleição. Quem pode fazer um contraponto mais forte ao Governador é o Senador Jarbas Vasconcelos, do PMDB. Jarbas tem resistido à candidatura, mas a pressão para que ele dispute será grande. Na última hora, o Senador pode ceder às circunstâncias. Outros nomes que podem disputar o executivo pela oposição são: Raul Henry, do PMDB, e Mendonça Filho, do DEM. O PT, em Pernambuco, sofre o mesmo dilema que o PT do Ceará. Caso Ciro seja candidato à Presidência, é possível que os petistas tenham que levantar um palanque para Dilma. Neste caso, o nome natural seria o do ex-prefeito de Recife, João Paulo (hoje, secretário de Eduardo). Entretanto, acho este cenário improvável, pela proximidade de Eduardo com o Planalto e com o próprio João Paulo.

Senado: Considerando que o PT não disputará o Governo de Pernambuco, João Paulo deve tentar eleger-se Senador. Humberto Costa, também do PT, está trabalhando para ser o candidato do partido, mas a popularidade do ex-prefeito da capital deverá ter peso decisivo na escolha do candidato ao Senado. Assim, Humberto Costa disputa a Câmara Federal. Armando Monteiro Neto, do PTB, deputado federal e presidente da CNI, será o outro candidato ao Senado da chapa do Governador. Pela oposição, dois senadores buscarão a reeleição: Sérgio Guerra, presidente do PSDB, e Marco Maciel, do DEM. Alguns dizem que, diante do quadro desfavorável, Maciel pode buscar um mandato na Câmara. De qualquer forma, a disputa pelo Senado, em Pernambuco, será das mais acirradas e emocionantes de 2010.





CAMPO GOVERNISTA
Jacques Wagner – PT (atual governador)
+
Geddel Vieira Lima – PMDB (Ministro da Integração Nacional, deputado federal)

CAMPO OPOSICIONISTA
Paulo Souto – DEM (ex-governador)

Eleito em 2006 com o apoio do PMDB, Wagner poderá ter que enfrentar os antigos aliados. Existirão pressões dos diretórios nacionais para que Geddel apóie a reeleição do Governador petista, mas os PMDBistas baianos parecem bastante convictos da pertinência de uma candidatura própria. Lula já declarou publicamente que não concorda com a movimentação do Ministro, mas não pode impedi-lo de disputar o executivo estadual. Pela oposição, PSDB / DEM / PPS apostarão em Paulo Souto, ex-governador carlista.

Senado: Caso Geddel seja dissuadido de disputar o governo da Bahia, pode disputar o senado, pela chapa de Wagner. Como isto é improvável, os candidatos ao Senado, com o apoio do Governador, podem ser Lidice da Mata, do PSB, e Walter Pinheiro, do PT, ambos deputados federais. Como o PT já tem o principal cargo da chapa, pode ser que Walter Pinheiro dê lugar a outro partido. César Borges, do PR, tentará ser reeleito. ACM Júnior (que assumiu o cargo após a morte do seu pai) também pode buscar a reeleição.





CAMPO GOVERNISTA
Iberê Ferreira – PSB (vice-governador)
+
Robinson Faria – PMN (deputado estadual)
ou
João Maia – PP (deputado federal)

CAMPO OPOSICIONISTA
Rosalba Ciarlini – DEM (senadora)

No Rio Grande do Norte, o Campo Oposicionista já está fechado em torno do nome da Senadora Rosalba Ciarlini, que hoje é favorita. Os partidos do Campo Governista, aliados tanto de Lula quanto da Governadora Wilma de Faria – PSB, pretendem unir-se em torno de uma candidatura única, mas enfrentam dificuldade para encontrar um nome de consenso. A governadora não parece disposta a abrir mão da candidatura de seu vice, Iberê Ferreira, do mesmo partido. Mas o bloco composto por PMDB, PP e PMN - denominado Unidade Potiguar - está entre Robinson Faria e João Maia. Diante do impasse, pode ser que surja uma terceira via, ou seja, uma disputa entre uma candidata de oposição, o vice-governador buscando a reeleição (já que Wilma deixará o cargo para concorrer ao Senado) e um projeto alternativo, fruto da ruptura da base. Aqui, novamente, o cenário estadual depende muito de Ciro Gomes. Caso Ciro dispute a presidência, o natural para a Governadora será apoiar o presidenciável da sua legenda. Mas não é essa a vontade de Wilma de Faria, que precisa do apoio do PT, que aumentaria o tempo de televisão e agragaria musculatura à chapa do seu vice. Obviamente, o PT estará no palanque que faça campanha por Dilma. Caso não haja consenso entre a base da Governadora, e Ciro permaneça candidato à presidência, o palanque de Dilma poderá ser a terceira via. Com PMDB, PT, PP, dentre outros partidos, esta “terceira via” terá enorme potencial de crescimento. É tudo que a Governadora não quer.

Senado: Wilma buscará o Senado, com grandes chances. Garibaldi Alves, PMDBista, ex-presidente da Casa, buscará a reeleição, e pode ser considerado o favorito na disputa. José Agripino Maia, líder do DEM, também buscará renovação do mandato. Aqui também, a disputa pelo Senado será das mais emocionantes de 2010.