domingo, 30 de março de 2008

Drops - Março

Aconteceu em Março e merece ser comentado!

Um tanto quanto avariado...

Todo mundo lembra, no começo do mês, dezenas de brasileiros foram impedidos de entrar na Espanha. Estudantes de pós-graduação ficaram retidos no aeroporto de Barajas, em Madri, por mais de 24 horas, sem direito a visitas e com a bagagem retida [1]. Em contrapartida, o Governo do Brasil adotou um controle mais intenso sobre a entrada de espanhóis em nosso território. O Assessor Especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, declarou que não se trata de retaliação, mas da aplicação do princípio de reciprocidade [2]. Pois bem, no dia 12, Alexandre Garcia, no Bom dia Brasil, comenta o fato [3]. Na interpretação do jornalista global, o comportamento do Governo brasileiro é, na verdade, uma desforra contra o Rei Juan Carlos, da Espanha, que mandou Hugo Chavez calar-se. Isso mesmo! Não tem nada que ver com política de relações exteriores, diplomacia ou “reciprocidade”. É, meramente, uma vingança de Lula, para defender seu amigo venezuelano. Cabecinha deturpada, a do Alexandre... Pra mim, o nome disso é obsessão.

[1]
http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL339680-5602,00-VIVI+OS+PIORES+DIAS+DA+MINHA+VIDA+DIZ+BRASILEIRA+BARRADA+NA+ESPANHA.html
[2] http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u379967.shtml
[3]http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM801582-7823-ALEXANDRE+GARCIA+COMENTA+O+MALESTAR+ENTRE+BRASIL+E+ESPANHA,00.html

Eu já sabia!

Recentemente, dados revelados pelo Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação (Epcom) demonstram que a maioria dos políticos que são donos de veículos de comunicação é dos partidos DEM, PMDB e PSDB [1]. Exatamente 271 políticos são diretores ou sócios de emissoras de TV ou rádio (o que, aliás, está em desacordo com a Constituição Federal). Deste total, 58 pertencem ao DEM, 48 ao PMDB, 43 ao PSDB, 23 são do PP, 16 do PTB, 16 do PSB, 14 do PPS, 13 do PDT, 12 do PL e 10 do PT. Ou seja, a oposição possui mais canais de mídia. Acho este estudo importante, pois fornece um mapa estatístico. Entretanto, engana-se quem pensa que este é o principal problema. Na minha avaliação, um veículo de comunicação pode ter um posicionamento político, contanto que isto seja claro para os espectadores. O problema acontece quando o posicionamento existe, mas o veículo posa de “imparcial”, enganando a audiência. Várias emissoras, jornais e revistas não são nem nunca foram controlados por políticos, diretamente, mas têm suas preferências implícitas. Gravíssimo!

[1]
http://www.fndc.org.br/internas.php?p=noticias&cont_key=236850

Classe média agora é maioria no Brasil.

No dia 26, a pesquisa Observador Brasil 2008, encomendada pela financeira Cetelem, ao Instituto de Pesquisa Ipsos, revelou que a classe C agora é maioria no Brasil. Os representantes dessa camada social saltaram de 36%, em 2006, para 46% em 2007, chegando a 86 milhões de pessoas. Já as classes D/E, que até 2006 tinham uma proporção maior que a C, apresentaram uma queda de 46% para 39%, caindo para 73 milhões de pessoas, em 2007 [1]. Acredito ser possível falar em “duas classes médias”. A ‘tradicional’, preocupada com carga tributária, segurança pública, despesas com educação e saúde; responsável pelo recorde nas vendas de automóveis e uma ‘nova classe média’, fruto da inclusão social e queda do desemprego verificados no Brasil nos últimos anos, importante aquecedora do consumo, nem tão acostumada com poder aquisitivo em alta, esta nova classe C aproveita o crédito disponível no mercado (queda dos juros) para comprar eletrodomésticos, roupas, alimentos etc. Isso provoca um efeito em cadeia, beneficiando o setor produtivo de maneira geral.

[2]
http://economia.uol.com.br/ultnot/2008/03/26/ult4294u1166.jhtm

Olha eu na Globo!

Eu fui citado na Globo News! Dia 22, no programa Fatos e Versões, da Cristiana Lôbo (jornalista e ex-menina do Jô), eu fui indiretamente citado. Foi assim: em seu blog, no portal G1, a Cristiana escreveu que a vitória de Maria do Rosário, nas prévias do PT para disputar a prefeitura de Porto Alegre, significou uma derrota para os “caciques” do partido, os quais preferiam o pré-candidato Miguel Rosseto. Eu respondi à postagem, comentando o seguinte: “Cristiana, se fossem caciques, teriam imposto a vontade deles. Você não acha? A partir do momento em que o partido faz prévias, e respeita a decisão da militância (mesmo quando esta vai de encontro à preferência dos mais influentes) fica claro que a legenda não é dada ao caciquismo[1]. O PSDB, por exemplo, escolhe seus candidatos a partir da indicação de uma meia dúzia. No dia 22, este mesmo assunto era debatido no programa Fatos e Versões. Cristiana estava prestes a fazer o mesmo comentário sobre os supostos caciques do PT, mas acabou se corrigindo na hora! E atribuiu a correção a um leitor (naturalmente, EU!). ;-P Não sei como postar o vídeo do programa [2], mas fiz uma montagem com o áudio:

[1]
http://colunas.g1.com.br/cristianalobo/2008/03/17/partido-ao-meio/#comments
[2]http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM806682-7823-SUPRESAS+NAS+ELEICOES+MUNICIPAIS,00.html

video

sexta-feira, 21 de março de 2008

Pax Americana: imperialismo moderno

A Pax Americana pode ser definida, basicamente, como o triunfo do Capitalismo. Antes da queda do Muro de Berlim, o mundo era divido em dois blocos econômicos: de um lado, os países capitalistas, liderados pelos Estados Unidos, e do outro lado, os países socialistas, influenciados pelo regime da União Soviética. A Alemanha conviveu com os dois modelos econômicos até 1989. Em Berlim, o país era dividido em República Federal da Alemanha (capitalista) e República Democrática Alemã (socialista). Após a queda do Muro, houve um intenso movimento de refugiados em direção ao mundo ocidental. A Pax Americana, para o doutor em Direito Internacional, Guilherme Sandoval Góes [1], é “um conceito geopolítico, cujo significado é a imposição de um cenário internacional unipolar com predominância cêntrica norte-americana em todos os campos do poder nacional (político, econômico, militar, cultural e tecnológico)”. Ou seja, na condição de líder do bloco triunfante, os Estados Unidos poderiam impor ao mundo seu modelo econômico-social.

Certamente, a idéia de que vivemos submetidos à Pax Americana é questionável. Os Estados Unidos não tem condições de unificar ou polarizar todas as diferentes culturas das diversas nações. Por outro lado, o Capitalismo é mesmo a Ordem Econômica Vigente na maior parte do mundo e determina um estilo de vida para a maioria dos seres humanos. Também é inegável a superioridade militar americana e a interferência política de Washington em diferentes pontos do globo. Na América Latina, onde boa parte da população é vítima do sistema capitalista, muitos governos de esquerda surgem com a missão de corrigir injustiças históricas e, muitas vezes, contestando o regime americano. São governos socialistas, no sentido de priorizarem a questão social, almejando uma sociedade mais equânime. Atualmente, os Governos de Brasil, Chile, Argentina, Equador, dentre outros, assumem claramente o compromisso com crescimento econômico, para distribuir melhor as riquezas destes países. Venezuela, Bolívia e Panamá, hoje, geram grandes preocupações para a administração Bush.

Na Colômbia, entretanto, a situação é outra. O Governo Álvaro Uribe já recebeu apoio americano em diversas ocasiões [2]. Este mês, no maior confronto recente entre países latinos, o exército da Colômbia entrou em território equatoriano, sem pedir permissão, numa investida contra as Forças Revolucionarias da Colômbia. Na ação, 17 guerrilheiros foram mortos, dentre eles, Raúl Reyes, porta-voz tido como o número dois das Farc, que se empenhou nas recentes libertações de reféns políticos. O presidente do Equador, Rafael Correa, declarou que “o território equatoriano foi ultrajado e bombardeado por um ataque aéreo e a posterior incursão de tropas estrangeiras”, considerou que esta foi “a pior agressão que o Equador já sofreu da Colômbia”, e solicitou uma reunião de emergência da Organização de Estados Americanos (OEA) e da Comunidade Andina de Nações (CAN). Correa não aceitou as explicações e o pedido de desculpas de Uribe, expulsou o embaixador colombiano do Equador e enviou tropas para defender as fronteiras [3].

No Brasil, Lula avaliou que o presidente da Colômbia violou a soberania territorial do Equador [4], mas acredita que o problema deve ser solucionado por vias diplomáticas [5]. Já nos EUA, Bush posicionou-se enfaticamente ao lado de Uribe [6]. Hoje, penso que os EUA têm menos interferência sobre os países latinos – com exceção da Colômbia, é claro, que continua recebendo assistência e treinamento militar norte-americano, alegando que precisa combater o tráfico de drogas. Sendo que Álvaro Uribe é acusado de ter, ele próprio, ligações com narcotraficantes, como mostrou matéria do Fantástico [7]. De todo modo, não podemos esquecer que, no passado, esta mesma interferência de Washington em nosso continente já esteve a serviço das Ditaduras Militares. Com o discurso de promover desenvolvimento, defender os valores católicos e proteger a população da ameaça diabólica do comunismo, uma onda ditatorial alastrou-se sobre os países latinos, na segunda metade do século XX, sempre com o suporte dos Estados Unidos.

Segundo o documentário “The War On Democracy” [8] (John Pliger, 2007), desde 1946, os EUA já tentaram derrubar 50 governos, muitos deles eleitos democraticamente pelas suas populações. Durante este processo, 40 nações foram atacadas, invadidas e bombardeadas, causando incontáveis mortes. Na América Latina, dezenas de países sofreram interferência política dos Estados Unidos, direta ou indiretamente, o que levou ditadores ou líderes pró-americanos aos governos destas nações. Neste período, os países latinos modernizaram-se e as diferenças sociais foram intensamente aprofundadas. Os direitos humanos eram constantemente violados e milhares de cidadãos foram assassinados ao questionarem estes regimes. Ainda hoje, o Governo americano lança mão de estratégias político-econômicas para alimentar seu imperialismo nas regiões mais pobres do mundo. Entretanto, a Democracia liberta uma força, a força de uma gigantesca população que luta diariamente por uma vida mais digna. Esta força não pode ser derrotada!


[1] Doutorando em Direito Internacional pela UERJ. Professor de Direito Constitucional da Universidade Estácio de Sá.

[2] http://noticias.uol.com.br/ultnot/efe/2007/04/20/ult1808u90339.jhtm

[3]http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/especiais/equador-colombia/colombia-detona-crise-no-continente-em-operacao-contra-as-farc

[4] http://noticias.uol.com.br/ultnot/brasil/2008/03/04/ult1928u5355.jhtm

[5] http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u378875.shtml

[6]http://www.jornaldamidia.com.br/noticias/2008/03/12/Mundo/Bush_ratifica_apoio_a_Uribe_e_cri.shtml

[7] http://br.youtube.com/watch?v=_idSpsS19RQ

[8] http://crapula-mor.blogspot.com/2008/03/pax-americana-imperialismo-moderno.html


The War On Democracy - Links

Links no Youtube para o documentário The War On Democracy, do jornalista australiano John Pilger (2007):

Parte 01:
http://br.youtube.com/watch?v=6_vZuxSjR1U


Parte 02:
http://br.youtube.com/watch?v=hGFcVEZJ-bA


Parte 03:
http://br.youtube.com/watch?v=Wfagmi8Vbrw


Parte 04:
http://br.youtube.com/watch?v=8w3inir2EHA


Parte 05:
http://br.youtube.com/watch?v=EMCmxTst9pc


Parte 06:
http://br.youtube.com/watch?v=S_jmF0sbrqQ


Parte 07:
http://br.youtube.com/watch?v=kgMZEaGXOLo


Parte 08:
http://br.youtube.com/watch?v=EbgGeo8ZiO8


Parte 09:
http://br.youtube.com/watch?v=BDcJiBQ6Kuc


Parte 10:
http://br.youtube.com/watch?v=4Jj2x5EStOk


Qualquer pessoa que tenha interesse em entender melhor a História da América Latina precisa assistir a este documentário! Quando você tiver um tempo, assista pelo menos a algumas partes. Confira o início:


video

domingo, 9 de março de 2008

O que vem mudando a cara do Brasil?

A geração de empregos formais bateu recorde em janeiro de 2008. Foi o melhor desempenho já registrado para o mês. O primeiro mês do ano é de queda de empregos, já que desaparecem muitas vagas criadas em função do Natal e Ano Novo. Ainda assim, houve alta de 35,5% sobre janeiro de 2007 e de 23,2% sobre o recorde anterior (2005) [1]. Só é possível gerar mais empregos, se a economia estiver crescendo, o que só é possível se a população estiver consumindo mais. No final de 2007, o Datafolha divulgou uma pesquisa que mostrou o encolhimento das classes D/E de 46% para 26% do total da população. Já a C cresceu de 32% para 49%. Isso nos últimos 5 anos. A pesquisa ainda aponta que a migração social foi mais acentuada no interior do que nas áreas metropolitanas, com maior impacto no Nordeste, Norte e Centro-Oeste. Este último dado chamou a minha atenção. A princípio, parece uma obviedade que a diminuição da miséria esteja mais presente nos pequenos municípios, que são mais prejudicados pela concentração de renda. A Folha atribuiu tudo isso a um único fator: "crescimento econômico" [2].

Diante de mudanças tão expressivas, em tão pouco tempo, resolvi pesquisar o que está sendo feito nas áreas mais pobres, em termos de administração pública.
Esta pesquisa levou a um nome: CONAB, Companhia Nacional de Abastecimento, uma empresa pública, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, criada por Decreto Presidencial em abril de 1990, tendo iniciado suas atividades em 1º de Janeiro de 1991 (Governo Collor). E o que faz o CONAB? Compra dos que mais precisam, ou seja, adquire a produção daqueles pequenos agricultores que moram no interior. Por exemplo, Seu José e Dona Maristela de Lima, moradores do município de Valente no sertão da Bahia, têm uma produção de leite de cabra de qualidade. Entretanto, o mercado para o leite era extremamente restrito. A partir de 2006, o CONAB assumiu o compromisso de comprar 363 mil litros de leite, beneficiando famílias como a do seu José, segundo reportagem do Globo Rural exibida em 09.03.2008 [3]. Hoje, a Companhia pública atua em parceria com o Fome Zero e compra, em todas as regiões do Brasil, diversos produtos da agricultura familiar: feijão, milho, frutas, frango, porco, água de coco, doces, geléias, entre outros.

Todos estes produtos são distribuídos gratuitamente na própria região em que são produzidos, e vão parar nas mesas de famílias pobres ou nos lanches de creches e escolas. Dezenas de milhares de agricultores fazem parte do programa. Com a venda garantida, as famílias elevam seu padrão de vida e consomem mais eletrodomésticos e alimentos. A pesquisa levou a um segundo nome: PRONAF, Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, que fornece crédito a centenas de milhares de famílias pobres, para que elas possam expandir os seus pequenos empreendimentos. No ano de 2004, mais de 1,57 milhões de pessoas firmaram contratos do PRONAF, contra apenas 953,2 mil em 2002. Os recursos repassados também cresceram expressivamente, passando de R$ 2,4 bilhões em 2002 para R$ 5,6 bilhões em 2004, ou seja, um aumento de 134,2%. Outra mudança, importante e recente, segundo o Diretor do Sindicado dos Trabalhadores Rurais do município de Irará, ainda na matéria do Globo Rural, foi a diminuição na burocracia para liberação dos empréstimos.

De todos os programas públicos, poucos têm a amplitude e o impacto do Bolsa Família, terceiro nome da pesquisa. Mães de família, de todas as regiões do Brasil, recebem diferentes importâncias, que variam de R$ 18,00 a 120,00. Para receber o dinheiro todo o mês, estas famílias precisam obedecer as contrapartidas: crianças em idade escolar devem freqüentar as aulas, e é preciso estar em dia com o calendário de saúde que inclui vacinação e acompanhamento pré-natal. O programa não foi criado nos últimos 5 anos, mas foi fortemente expandido. Quem diz isso não sou eu, é o próprio presidente do PSDB, Senador Sérgio Guerra (em entrevista ao programa Brasília Ao Vivo, da Record News[4]). Segundo o Senador, para fins eleitoreiros. Contudo, fato é que estes programas públicos têm mudado a cara do Brasil. Nos municípios mais pobres, o programa representa maiores faturamentos para as mercearias, as panificadores, as farmácias, as lojas de roupas, de material de construção, bancas de revistas etc. Numa reação em cadeia, toda a economia acaba sendo beneficiada.

Ano passado, saiu a notícia
[5] de que 45 milhões de brasileiros são atingidos pelo programa. Além de alimentos, o dinheiro da bolsa quase sempre serve para comprar material escolar. Hoje, as mães podem sonhar para os seus filhos algo que foi negado a elas mesmas: uma educação de maior qualidade e, possivelmente, um futuro mais digno, em que não será necessário recorrer a nenhuma ajuda do Governo.
[4] http://www.mundorecordnews.com.br/play/6a0e58c5-e181-4258-8af9-c96c41b51b20

[5] http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL91371-5598,00.html