segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Velinho nem tão bom assim

Véspera de Natal. Eu acordo. Vou para cozinha com fome e torcendo para ser o final do dia. No relógio: 11h. Droga! Eu queria tanto ter acordado umas 17, 18h, ficar algum tempo no meu quarto, sair só para tomar banho, me arrumar e enfrentar todo o ritual. Já sei! Vou comer alguma coisa, voltar para cama e dormir! Parecia simples, mas nada do sono ajudar, quando eu mais preciso dele. Vocês podem estar se perguntando: qual o motivo da minha aversão ao dia da véspera do Natal? É que, geralmente, a casa fica um inferno! Faxina, comida sendo preparada pra todo lado, muda a mobília de lugar, arranja um espaço para o videokê (maldito videokê!), espalha cadeiras pelo pátio, preparativos e mais preparativos. E eu, ávido, ansioso, esperando o ano todo para chegar o momento em que vou poder fugir de tudo isso!

Ano passado foi o meu maior trauma: saí com meus amigos no dia 23, cheguei na manhã do dia 24. Resolvi dormir a dia 24 inteiro, acordar só para a comemoração. Naquele ano, além de todos os preparativos habituais, havia uma mini-reforma em casa. Os últimos acabamentos. Barulho de furadeira! Não era constante e forte. Era de tempo em tempo, breve. Evitar que uma pessoa durma quando ela está morrendo de sono poderia ser adotado como prática de tortura! De volta para 2007: tomei o café e sigo para o quarto disposto a dormir MUITO! No caminho, ainda na sala, eu ouço meu pai “quanto custa um pacote de balão?”. Minha mãe “Ah, é muito barato! Uns R$1,50 ou R$2,00. Vende aqui perto.” Imediatamente eu constatei “To ferrado!”. Não sei cozinhar nem um ovo, nunca tive vocação parra arrumadeira, mas qualquer energúmeno consegue encher um balão. Sem problema! Passo a chave no quarto, me jogo embaixo do edredom e durmo até o primeiro convidado chegar.

O sono realmente não veio. Mas era só eu ficar quietinho, deitado, sem fazer barulho! Tudo ia dar certo! Jovem gafanhoto...Não demorou muito para meu pai bater na porta do quarto. Ele nem precisou falar nada. Fui logo perguntando onde estavam os balões. Logo vi, em cima da mesa da sala. 3 pacotes. Meus irmãos fazendo corpo mole para não participar da decoração natalina (não sei com quem eles aprendem essas coisas!). Não por isso! Peguei um pacote, voltei para o meu quarto e comecei a encher sozinho! Só depois que eu terminei com o primeiro pacote que eles (pai, irmão e irmã) começaram com os dois restantes. Sorrateiro, eu peguei vários dos balões que eles ainda tinham e também enchi rapidamente. De repente eu me senti disposto a ajudar? Não se enganem! Eu já tinha maquinado um plano maligno. Foi aí que eu propus (ou melhor, impus) o trato: já que eu tinha enchido a maioria dos balões, eles teriam que amarrar e pendurar tudo sozinhos! Eles não toparam, mas não deixei muita escolha.

Volto para o meu quarto com a consciência tranqüila, sabendo que já tinha dado a minha cota de contribuição. Poucos minutos depois: toc toc toc. O que agora? A irmã se faz de lesa e não consegue amarrar os balões e o irmão saiu! Como assim, saiu?! “Foi comprar um negócio ali”. Justamente na hora de cumprir com a parte dele do trato?! Muito conveniente! Eu, que já tinha enchido a maior parte dos balões, agora tinha que amarrar também! Tem cabimento? Algum tempo depois o meliante chega, e eu reparei que não tinha nenhuma compra nas mãos! Nessas alturas a menina já tinha se bandeado para a cozinha com a desculpa de que ia “ajudar com os pratos”. Un hum! Sei! E o meu velho pai? Não deveria ser o árbitro dos acordos e coordenador de todas as atividades?! Pois o velho me passou a perna! Com a desculpa de que eu era o mais “competente”, fez eu trabalhar sozinho! Ano que vem não caio mais nessa!

Ah, sim! No final, a decoração ficou horrível! Os arranjos ficaram espalhados sem nenhuma harmonia e tinha quase um metro de distância entre cada balão. Muito feio realmente! Aliás, qual a graça de ter dezenas de bolas de ar espalhadas pelo teto? Deu um trabalho do cão (pra mim, pelo menos), ficou a maior sujeira depois com os pedaços de balões estourados espalhados pelo chão e ainda deixou o pátio com um aspecto de trabalho mal feito. Pode ter custado só R$ 2,00 cada pacote, mas a relação custo / benefício dessa idéia foi negativa. Parece que o primogênito não é tão “competente” assim. Bom, que isso fique registrado para 2008! O reveillon, a gente vai comemorar na praia. Graças a Deus! Acredito que ninguém vai inventar de espalhar balões pelas barraquinhas da orla... Se vocês perguntarem “o dia foi completamente inútil?”, eu respondo: “de jeito nenhum!”. Eu não tinha nada pra postar no blog esta semana. Recebi limões e fiz uma limonada! É isso que eu chamo de espírito natalino! Agora, com licença, preciso me arrumar antes que a parentada chegue. Boas Festas!

Crápula Mor

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Drops - Dezembro

Vários assuntos na mesma postagem. É assim que funciona o Drops.

CPMF, atendendo a um pedido.

Todo mundo fala, o tempo todo, sobre CPFM. Acho que não há muito para acrescentar, por isso não pretendia abordar o assunto. Mas, já que fui cobrado, digo que a extinção da CPFM foi:

Do ponto de vista da carga tributária: saudável.
Do ponto de vista fiscal: desastroso.

Também acrescentaria que o Governo mentiu quando falou que a capacidade fiscalizadora da CPMF era insubstituível. Hoje, a Receita tem instrumentos pra fiscalizar a movimentação financeira, assim como faz com o crédito. É claro que a CPFM tornava tudo mais prático, o ideal seria manter uma alíquota mínima, simbólica, apenas para fiscalização. A oposição também mentiu quando falou que os preços dos produtos iriam diminuir. A conjuntura mercadológica atual é marcada por um forte aumento de consumo. Que empresário vai diminuir preços quando a demanda está aquecida?! Infelizmente, os brasileiros foram iludidos neste ponto. O mercado financeiro já reagiu de maneira negativa, IBOVESPA despenca. O Governo vai precisar de jogo de cintura pra responder aos investidores. Qualquer medida deve ser no sentido de 1) manter o superávit primário (para que a relação dívida / PÍB continue a cair), 2) diminuir despesas (correntes ou de investimentos) e 3) aumentar alíquotas de alguns impostos (desagradável, mas inevitável na minha opinião).

No Altas Horas,

Estavam presentes: Lulu Santos, Cláudia Leite e Elba Ramalho. Colocaram um vídeo da Cláudia cantando Tim Maia em um especial promovido pelo Serginho na Bahia. O arranjo da música tava bem diferente, e os vocais... digamos, problemáticos. De volta para o estúdio, Cláudia fez aquele típico charme, dizendo que não gosta de assistir às próprias apresentações. Serginho pergunta à Elba e ao Lulu se a mesma coisa acontecia com eles. Elba confessou que também não gosta de ver vídeos dela mesma. Já o Lulu respondeu que “depende”, e explicou: “quando a apresentação é boa, gosto de ver. Sinto orgulho por ter feito aquilo. Mas quando é ruim...”. E continuou: “Em arte, existe uma grande diferença entre idealizar e realizar”. Cláudia fez uma cara, nada convincente, de quem concordava com o discurso. Chegou até a ensaiar um aplauso. Mas, tive a sensação de que ela ficou sem graça o resto do programa inteiro! Coitada. Também foi sacanagem da produção colocar um vídeo tão... infeliz. É bom ela ir se acostumando a enfrentar situações adversas. Tudo indica que a carreira solo é uma questão de tempo. Pouco tempo.


“Melhor natal da história do comércio brasileiro”.

Foi uma afirmação ousada do Ministro do Trabalho. O entusiasmo é explicado pelos dados divulgados recentemente pelo CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). A geração de empregos formais até outubro de 2007 foi a melhor já registrada¹. Outubro de 2007 foi o mês que gerou a maior quantidade de empregos formais, desde que o levantamento começou a ser feito, foram 205.260 novas vagas. O recorde anterior era de 2004. Além disso, de acordo com o IBGE, de janeiro a setembro de 2007, o PIB teve expansão de 5,3% na comparação com igual período de 2006². Já o consumo das famílias teve taxa positiva de 6%, o 16º crescimento consecutivo nessa comparação. Outra boa notícia: um estudo divulgado pelo DATAFOLHA, no dia 16, revelou que cerca de 20 milhões de brasileiros com mais de 16 anos migraram para a classe C nos últimos cinco anos³. A classe D/E encolheu de 46% do total da população para 26%. Legal!

¹http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u345688.shtml
²http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u354081.shtml
³http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u355323.shtml

Tal pai, tal filho.

Este mês, o TRE da Paraíba cassou o mandato de Cássio Cunha Lima, por ter usado o jornal oficial do estado em benefício próprio nas eleições de 2006. O Governador já havia sido cassado, no dia 30 de Julho, pela distribuição irregular de 30 mil cheques enquanto concorria à reeleição. Em ambos os casos, a defesa recorreu. Pra quem não sabe, Cássio é filho de Ronaldo Cunha Lima, ex-deputado federal e ex-governador da Paraíba. Em 1993, Ronaldo disparou dois tiros contra o adversário político, Tarcísio de Miranda Buriti, que sobreviveu após alguns dias em coma. Dez anos depois do crime, Buriti morreu de falência múltipla dos órgãos. Para escapar do julgamento no Supremo Tribunal Federal, Ronaldo renunciou ao cargo no Congresso. A ação penal seguirá para o Tribunal do Júri de João Pessoa. Tanto pai, quanto filho são do PSDB. Será que a repercussão dos casos seria a mesma se os envolvidos fossem de um certo partido?

¹http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL212269-5601,00-TRE+CASSA+MANDATO+DO+GOVERNADOR+DA+PARAIBA+CASSIO+CUNHA+LIMA.html

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Uma data cheia de simbolismo.

No dia 10 de dezembro, comemorou-se o dia internacional dos direitos humanos, mesma data do aniversário da menina que ficou encarcerada com mais de 20 homens no Pará. Em São Paulo, não se falava em outra coisa. Foi, realmente, um escândalo nacional. Alguns paraenses sentem-se injustiçados por verem sua terra retratada de maneira tão pejorativa. Quase toda a exposição que fazem do Pará envolve algo grotesco, primitivo. O caso da missionária Dorothy Stang repercutiu por todo o país, demonstrando que em algumas regiões do nosso estado prevalece uma lógica selvagem. Outros conterrâneos percebem que, mais do qualquer má intenção da mídia, existe de fato uma conjuntura calamitosa.

Ao mesmo tempo em que notícias como estas nos envergonham, chocam menos. "Exclusão" ganha um sentido muito mais profundo quando nos referimos a determinadas áreas do Brasil. Mais do que uma segregação sócio-regional, o interior do Norte e Nordeste parou no tempo. Dá a sensação de que décadas passaram apenas para o Centro-Sul. O progresso ignorou estes municípios. Não falo apenas de um desenvolvimento tecnológico, mas também de avanços na área política, econômica, social, cultural etc. Cadeia serve para deter criminosos, mas ainda deveria ser um espaço que abriga seres humanos. Não é esta a mentalidade que predomina em muitas localidades. Estado, leis, direitos humanos, das mulheres, das crianças ou adolescentes, inexistem nestas regiões.

Que proteção, indenização ou punição serão capazes de “ressarcir” o dano causado a esta adolescente? A situação é, em alguma medida, reversível? Bem, na postagem “A barbárie com requintes de crueldade”, em seu Blog¹, Lucia Hippolito avalia que há respaldo para o impeachment da Governadora, Ana Júlia Carepa. “Nesses dias, a governadora deu uma declaração. Disse, mais ou menos assim, que infelizmente, esses casos de mulheres presas em celas com homens existem mesmo no Pará. Se já tinha conhecimento de outras barbáries como estas e não tomou providências para impedir que voltassem a acontecer, a governadora incorreu em crime”, raciocinou Lucia.

A observação da jornalista foi lida em plenário, pelo Senador Mário Couto (PSDB / PA), que parece ter alguma dificuldade para raciocinar por conta própria e, obviamente, concordou com o parecer de Lucia. Mário Couto também conclamou outros senadores a tomar uma atitude. Mão Santa, Senador pelo Piauí, foi mais longe. Afirmou que o PT não sabe governar, nem o Pará, nem o Brasil. Apesar de ser do PMDB, Mão Santa sempre faz oposição ao Governo. Sua excelência levou uma surra do petista Wellington Dias, em seu estado, perdendo a eleição de 2006 para o cargo de governador em primeiro turno. Por aqui, presidiárias paraenses afirmam que a “cela mista” é comum há anos. Algumas chegaram até a engravidar, mais de uma vez².

As pessoas estão sempre muito dispostas a punir, encarcerar, vigiar, agredir. Considerando a situação da insegurança pública, é natural... Mas o problema da criminalidade não será resolvido apenas com a construção de novos presídios, repressão policial, redução da maioridade penal ou atitudes paliativas deste tipo. A violência é uma das várias crises geradas pela profunda concentração de renda. Se os cidadãos excluídos não têm direitos básicos atendidos, por que cumprir com os deveres? A sociedade precisar compreender que a questão da insegurança perpassa necessariamente pela questão social, e respeitar os direitos humanos é uma etapa imprescindível deste processo. Enquanto isto não acontece, plantamos casos como desta menina de 15 anos e colhemos cada vez mais violência.

¹ http://www.luciahippolito.globolog.com.br/">http://www.luciahippolito.globolog.com.br/
² http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u349653.shtml

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

El Chavo del Ocho

Na última semana de novembro, quem entrava no site do SBT – Sistema Brasileiro de Televisão – encontrava uma notícia em destaque sobre o sucesso da reprise de Chaves. Exibido atualmente das 19 às 20h, o seriado rende boa audiência, geralmente garante o segundo lugar (que na maior parte do tempo pertence à Record), além de funcionar como um porto-seguro para o SBT. Sempre que Silvio precisa, urgentemente, de uma atração que é certeza de sucesso, o humorístico mexicano entra em cena. Há mais de 20 anos, Chaves vem sendo reprisado. Considerando a instabilidade da programação televisiva brasileira (especialmente no SBT) é certamente uma façanha.

Outro dia, um amigo comentou: “Como pode fazer tanto sucesso? Não tem nada de mais!”. De fato. Criado pelo comediante Chespirito, Roberto Bolaños, Chaves é um programa de fórmula extremamente simples, ao mesmo tempo, genial! Apesar de ter sido criado em 1971, até hoje eu gosto muito e acho engraçado! É o tipo de atração que passa a fazer parte de um imaginário coletivo e marca uma geração. Neste caso, gerações! Qualquer pai pode colocar seu filho, de qualquer idade, para assistir a um programa como esse, sem se preocupar. Encontrei um vídeo recente que mostra a atriz Maria Antonieta de las Nieves (Chiquinha) visitando o set de filmagens. É bem comovente (VÍDEO 01). Vejam abaixo!

El Chavo del Ocho conquistou fãs por vários países da América Latina. Em países como Peru, outros programas onde apareciam os atores do seriado começaram a ser transmitidos. Na Argentina, Rubén Aguierre (professor Girafales) fez muito sucesso interpretando seu personagem em um circo, e em Porto Rico muitas das frases de Chaves se converteram em parte do diálogo cotidiano. Nos Estados Unidos, o programa ainda é transmitido pela Galavisión. Mas, nem tudo foram flores. Chespirito teve uma séria desavença com o intérprete de Kiko, Carlos Villagrán, acerca da autoria do personagem. A briga foi parar na Justiça e Villagrán lançou seu próprio programa, “Ah! que Kiko”.

Existem cenas deste programa na internet (VÍDEO 02). Pra resumir em uma palavra: bizarro. Em duas palavras: muito bizarro! A Chiquinha também se aventurou em um programa solo (VÍDEO 03). Chega a ser deprimente! Ver ela longe do pai, sendo criada por freiras é triste demais para uma comédia. Devido ao estrondoso sucesso, é possível dizer que Chaves é parte da História latino-americana. Talvez, justamente, por retratar tão bem a realidade deste continente. El Chavo del Ocho é um menino pobre, que não tem onde morar, dorme em um barril e faz qualquer coisa por um sanduíche de presunto. Quantas crianças, nas ruas, passam por situação parecida? É a tragédia que, mediada pela televisão, torna-se cômica. Encarada, de frente, no dia-a-dia, perde a graça.

Algumas curiosidades:
-"El Chavo" é uma forma curta de "chaval", que significa "garoto" em castelhano.
-"Del Ocho" é porque a emissora que transmitia o programa, no México, era sintonizada no canal 8.
- Na vida real, Chespirito é casado com a atriz que interpretava a Dona Florinda, e é irmão do ator que fazia o Godinez.

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segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Drops - Novembro 2007

“Drops” é uma sessão de breves comentários que eu pretendo fazer sobre assuntos diversos, na mesma postagem. Comentem só o assunto que vocês quiserem, não precisa comentar tudo. Os drops serão mensais, vamos aos de Novembro:

Na terra deles é diferente

Eu nunca entendi direito o horário de verão. Até porque não há horário de verão no estado onde morei a vida toda. Sempre achei estranho o fato de as pessoas se comportarem como se fosse um horário, sendo que, na verdade, era outro. Finalmente, estou morando em São Paulo durante alguns meses do final do ano. Na prática, continuo sem compreender muito bem o tal horário de verão. Primeiro, quero dizer que aquela hora que sumiu, do nada, de domingo pra segunda, fez muita falta! Eu tinha prova na segunda! Foi uma hora a menos que dormi! Não me senti bem naquela prova... Depois, continuo achando estranho as pessoas fingirem que é um horário, quando sabem perfeitamente que é outro! Como assim, 19h e pouco?! Vocês não estão vendo o céu totalmente claro ainda?! Paulistas cínicos!

Dia desses...

No Jô, o Diogo Mainardi chamou o presidente Lula de anta – para a euforia da platéia. O colunista da Veja explicou que o adjetivo “anta” é pelo fato de Lula ter sido perseguido e conseguido escapar. Não era, portanto, uma ofensa à capacidade intelectual do presidente (aí a platéia não gostou). Bom, ninguém nunca mais vai poder insinuar que Lula tem tendências autoritárias... Jornalista fala o que quer e bem entende, até chama o presidente de anta em rede nacional. Além disso, a todo o momento, na nova novela das 20h, alguém “tira uma” com a cara do presidente. Coisa do tipo “não sabe nem falar inglês”, e por aí vai... Como se o povo tivesse votado sem saber que ele não fala inglês, ou como se não tivéssemos o direito de escolher um representante que não fala inglês. E o Jô – ainda na entrevista com o Mainardi – teve o cinismo de dizer que eles adotam uma postura “eqüidistante” dos partidos políticos. Aí eles chamaram de anta o povo brasileiro inteiro!

ACM Neto é um fanfarrão!

O “democrata” fazia um discurso, como sempre, inflamado, contra a Ditadura na Venezuela. Adorei a resposta do Ivan Valente / PSOL: “Quem está aqui criticando o governo da Venezuela são os que apoiaram o Regime Militar no Brasil”. Pedala, democrata!

Em tempo:

Sexta-feira (16), o Jornal da Globo fez uma matéria sobre a pesquisa que a ONG Latinobarômetro realizou em 18 países latino-americanos. O jornal abordou vários aspectos, mostrou vários gráficos e dados da extensa pesquisa. A idéia central da reportagem era, basicamente, demonstrar como os latinos apóiam a Democracia. Mais uma alfinetada no presidente da Venezuela. Se bem que os venezuelanos apareceram na pesquisa como uma das nações que mais prezam pelos valores democráticos. Parece que a questão é subjetiva... A matéria também ignorou completamente um dos resultados que eu considerei dos mais relevantes: “o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o líder político com melhor imagem na América Latina e o único a manter o posto nos últimos dois anos”. Qualquer site (IG, UOL, Terra) colocava esse dado logo no título do link. Mas, o Jornal da Globo resolveu ocultar descaradamente e insistir na sua picuinha com o Chavez. Aí eu pergunto: que direito tem a Globo de cobrar democracia de quem quer que seja, quando a postura que a emissora adota é das mais autoritárias?

domingo, 18 de novembro de 2007

"Quem financia a baixaria é contra a cidadania!"

Televisão é uma concessão pública, por isso deve prestar serviços à sociedade. A partir do momento em que a lógica mercadológica sobrepõe-se à formação crítica da audiência, aos conteúdos educativos e ao teor cultural, é porque os interesses privados estão prevalecendo sobre os públicos. A sociedade exerce controle social sobre a qualidade da saúde, da educação, segurança, entre outros serviços. Por que não sobre a comunicação? Discriminação da mulher, do negro, do homossexual, do indígena, do morador de periferia é violação de direitos humanos. Esses grupos são frequentemente excluídos nos meios de comunicação de massa, inferiorizados ou retratados de maneira caricata. Não que deva ser proibida qualquer forma de humor, mas as minorias precisam ser representadas também de maneira digna, democraticamente. Comunicação é direito humano reconhecido, e precisa estar a serviço das causas sociais.

A regulamentação da mídia é encarada com muita naturalidade em países dos mais desenvolvidos, como Inglaterra, Suécia e Estados Unidos. Infelizmente, no Brasil, toda a discussão sobre controle da programação televisiva é imediatamente rotulada de censura. Muitas vezes, esta resistência surge da própria indústria da mídia, que utiliza seus instrumentos de influência sobre a sociedade, para sabotar qualquer avanço. Enquanto isso, as programações exibem conteúdos inadequados para crianças e adolescentes, em qualquer horário. Se, por um lado, cabe aos pais a responsabilidade de determinar quais conteúdos são apropriados para seus filhos; por outro, está mais do que comprovado que a ausência de regulamentação leva as emissoras a exibirem uma programação aberta marcada pela baixaria e pela perseguição de lucro a qualquer custo.

É justamente para proteger os direitos das crianças e adolescentes, que a sociedade civil precisa de organização para acionar mecanismos de constante avaliação dos produtos midiáticos. É difícil mensurar até que ponto vai a participação do Estado, nesta problemática. De toda forma, as decisões não podem ser tomadas a despeito dos direitos coletivos. ONG's, entidades, pesquisadores acadêmicos, estudantes, universitários, sites, blogs e os próprios programas de TV, dentre outros, precisam, cada vez mais, provocar este debate e estimular a sociedade a fiscalizar, não apenas a qualidade das programações, como também os processos de distribuição de concessões públicas na comunicação.

Uma matéria jornalística, por exemplo, na BBC, dura 6, 7 minutos, em média, e procura contextualizar as informações. Em emissoras brasileiras, muitas matérias não passam de 30 segundos. Ao invés de oferecer vários aspectos sobre uma questão, permitindo que o espectador forme a sua própria conclusão, boa parte da mídia no Brasil quer oferecer as respostas, assumindo um posicionamento totalmente tendencioso e unilateral. É muita opinião disfarçada de informação! Parte do público, infelizmente, está condicionada a adotar as informações da mídia como uma verdade inquestionável e que deve ser absorvida automaticamente; quando, na verdade, qualquer mensagem jornalística é uma VERSÃO dos fatos. Liberdade de imprensa deve ser respeitada, mas não pode funcionar como álibi para este autoritarismo. Pluralidade deveria ser a palavra de ordem em um veículo de comunicação de massa.

Ela reina, inabalável.

É impressionante como as pessoas têm uma necessidade irreversível de sentirem-se inseridas em algum grupo. Outro dia, um amigo questionou por que todos os médicos têm uma caligrafia indecifrável. Comecei com a minha filosofia de botequim, e disse que era pela necessidade deles sentirem-se parte de uma comunidade. Uma comunidade que implica práticas e códigos que precisam ser compartilhados pelos seus integrantes, e a caligrafia bizarra seria um dos requisitos básicos para o reconhecimento de um membro legítimo. Tão importante quanto ser médico é parecer médico. Logo, que espécie de receita seria escrita com uma letra apreciável? O médico tem o direito adquirido de dificultar a leitura do paciente, sem ser questionado!

Em relação à letra do médico, pensei em voz alta. Mas, naquilo que diz respeito às bebidas, estou convencido. A maioria das pessoas bebe para sentir-se inserida no grupo. É óbvio que alguns, de fato, apreciam o sabor da bebida. Aliás, outro dia teve um happy hour na casa de um professor, e lá tinha um vinho muito saboroso! Italiano. Meu professor sempre viaja para a Itália, nasceu lá, por isso sempre traz dessas bebidas. Com um vinho daqueles, qualquer um fica alegre sem nem perceber. Mas, salvo raríssimas exceções, as pessoas estão mesmo preocupadas com que os outros vão pensar.

Todo mundo, em alguma medida, liga para o que os outros pensam. Isso é comum. Mas, algumas práticas sociais já estão impregnadas nas nossas mentes. A cultura do álcool é um dos maiores exemplos. Seja para impressionar os pais (grupo familiar), seja para impressionar os amigos (grupo social), os jovens começam a beber para receberem aprovação de determinado grupo. A maioria dos meus amigos não considera cerveja saborosa (no começo, pelo menos). No entanto, em cada uma das nossas saídas, lá está a Skoll no centro da mesa, soberana, indispensável. Não existe perigo para dirigir, ressaca ou mal estar que ameace o reinado dela. Mesmo precisando fazer um esforcinho para suportar o gosto, bebe-se!

A bem da verdade, outro motivo torna, particularmente os homens, reféns da necessidade de beber: o álcool torna-os mais desinibidos. E isso, nas noites, é moeda valiosíssima! Nada como uns gorós, antes de chegar na mulherada. De qualquer forma, tudo é parte de um ritual imposto pelo grupo. E quem não bebe? Não participa do brinde, não faz parte da bagunça, não tem a aprovação dos demais, enfim, fica de fora do ritual. No Pará, costumam dizer: "quem não bebe ou não fuma, não f***!" Seria o supra-sumo da ditadura do álcool?

Se nós parássemos para perceber a quantidade de coisas que fazemos, só porque os outros fazem, ficaríamos impressionados. Geralmente é assim... Mais fácil reproduzir os comportamentos e opiniões dos outros, do que pensar criticamente por si. Bebida pode ajudar a animar o clima, algumas são muito saborosas (ah! Vinho italiano!), fazer um brinde não mata ninguém. Mas, se não gosta de cerveja, fica 'malzão' depois, precisa dirigir, não quer gastar ou tá a fim de uma noite mais tranqüila, por que bebe?! Cuidado para não passar do limite nesta necessidade da aprovação dos outros e para não se tornar dependente de um estímulo artificial para conseguir se divertir.

Por que a mídia acha que eu sou doido?

A mídia insiste em me chamar de louco, achar que eu sofro de amnésia ou sou esquizofrênico. Não apenas a mim, mas o público como um todo. Em recente entrevista ao programa Entrevista Record, da Record News, o Djavan resolveu mostrar sua indignação para com a política. O cantor falou que perdeu a esperança no congresso e que, como congresso e governo são 'a mesma coisa', também se desiludiu com o governo. Falou também que o voto secreto é uma sacanagem, que tudo começa aí. No novo CD dele, tem uma música chamada imposto, na qual o artista desabafa.

Resumindo, o Djavan também cansou! Esse movimento dos cansados é bem por aí... Cansaram dos traficantes, dos impostos, da impunidade, da burocracia, das crianças nas ruas e não nas escolas, da corrupção, da violência... Ou seja, de problemas que o Brasil tem desde que eu me entendo por gente. Cansaram só agora?! Que estranho! O Djavan com toda a influência que possui, sendo um dos principais ídolos da classe média pseudo-intelectual metida a besta, poderia ter se manifestado, por exemplo, em 2003, quando o Senador Tião Viana (PT/AC) apresentou a PEC que propunha o fim das votações secretas.

Mas, não. Negativo! Não vi senhor Djavan, nem passeata dos universitários na paulista, nem capa de Veja, apoiando a causa. Aliás, a PEC (proposta de emenda constitucional) foi derrubada por 41 votos contrários versus 34 a favor, mais 3 abstenções. A emenda precisava de 49 votos para ser aprovada. E quem não permitiu o fim das votações secretas no congresso brasileiro? PSDBistas e PFListas. Isso mesmo! Os mesmos tucanos e demos que hoje vão às tribunas (e às câmeras) mostrar indignação para com o voto secreto, e posar de defensores da moralidade.

O Djavan cansou. Tadinho! Mas eu ainda tenho fôlego pra procurar o e-mail da jornalista que estava fazendo a entrevista. Preciso perguntar se ela acha que eu rasgo dinheiro, bato com a cabeça na parede ou chamo urubu de meu loro. A jornalista deve supor que sou doente mental ou que já esqueci a história do Brasil de 4 anos atrás. E olha que a Record ainda é a menos pior. Tem emissora que eu assisto só pra me irritar! Num próximo texto, eu cito nomes. Quero dizer, marcas. Isso dá muito pano pra manga. O governo precisa avaliar melhor pra quem entrega suas concessões públicas. Quanto a nós, não podemos esquecer que emissoras de rádio e TV receberam concessões PÚBLICAS, para poder funcionar.