segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Velinho nem tão bom assim

Véspera de Natal. Eu acordo. Vou para cozinha com fome e torcendo para ser o final do dia. No relógio: 11h. Droga! Eu queria tanto ter acordado umas 17, 18h, ficar algum tempo no meu quarto, sair só para tomar banho, me arrumar e enfrentar todo o ritual. Já sei! Vou comer alguma coisa, voltar para cama e dormir! Parecia simples, mas nada do sono ajudar, quando eu mais preciso dele. Vocês podem estar se perguntando: qual o motivo da minha aversão ao dia da véspera do Natal? É que, geralmente, a casa fica um inferno! Faxina, comida sendo preparada pra todo lado, muda a mobília de lugar, arranja um espaço para o videokê (maldito videokê!), espalha cadeiras pelo pátio, preparativos e mais preparativos. E eu, ávido, ansioso, esperando o ano todo para chegar o momento em que vou poder fugir de tudo isso!

Ano passado foi o meu maior trauma: saí com meus amigos no dia 23, cheguei na manhã do dia 24. Resolvi dormir a dia 24 inteiro, acordar só para a comemoração. Naquele ano, além de todos os preparativos habituais, havia uma mini-reforma em casa. Os últimos acabamentos. Barulho de furadeira! Não era constante e forte. Era de tempo em tempo, breve. Evitar que uma pessoa durma quando ela está morrendo de sono poderia ser adotado como prática de tortura! De volta para 2007: tomei o café e sigo para o quarto disposto a dormir MUITO! No caminho, ainda na sala, eu ouço meu pai “quanto custa um pacote de balão?”. Minha mãe “Ah, é muito barato! Uns R$1,50 ou R$2,00. Vende aqui perto.” Imediatamente eu constatei “To ferrado!”. Não sei cozinhar nem um ovo, nunca tive vocação parra arrumadeira, mas qualquer energúmeno consegue encher um balão. Sem problema! Passo a chave no quarto, me jogo embaixo do edredom e durmo até o primeiro convidado chegar.

O sono realmente não veio. Mas era só eu ficar quietinho, deitado, sem fazer barulho! Tudo ia dar certo! Jovem gafanhoto...Não demorou muito para meu pai bater na porta do quarto. Ele nem precisou falar nada. Fui logo perguntando onde estavam os balões. Logo vi, em cima da mesa da sala. 3 pacotes. Meus irmãos fazendo corpo mole para não participar da decoração natalina (não sei com quem eles aprendem essas coisas!). Não por isso! Peguei um pacote, voltei para o meu quarto e comecei a encher sozinho! Só depois que eu terminei com o primeiro pacote que eles (pai, irmão e irmã) começaram com os dois restantes. Sorrateiro, eu peguei vários dos balões que eles ainda tinham e também enchi rapidamente. De repente eu me senti disposto a ajudar? Não se enganem! Eu já tinha maquinado um plano maligno. Foi aí que eu propus (ou melhor, impus) o trato: já que eu tinha enchido a maioria dos balões, eles teriam que amarrar e pendurar tudo sozinhos! Eles não toparam, mas não deixei muita escolha.

Volto para o meu quarto com a consciência tranqüila, sabendo que já tinha dado a minha cota de contribuição. Poucos minutos depois: toc toc toc. O que agora? A irmã se faz de lesa e não consegue amarrar os balões e o irmão saiu! Como assim, saiu?! “Foi comprar um negócio ali”. Justamente na hora de cumprir com a parte dele do trato?! Muito conveniente! Eu, que já tinha enchido a maior parte dos balões, agora tinha que amarrar também! Tem cabimento? Algum tempo depois o meliante chega, e eu reparei que não tinha nenhuma compra nas mãos! Nessas alturas a menina já tinha se bandeado para a cozinha com a desculpa de que ia “ajudar com os pratos”. Un hum! Sei! E o meu velho pai? Não deveria ser o árbitro dos acordos e coordenador de todas as atividades?! Pois o velho me passou a perna! Com a desculpa de que eu era o mais “competente”, fez eu trabalhar sozinho! Ano que vem não caio mais nessa!

Ah, sim! No final, a decoração ficou horrível! Os arranjos ficaram espalhados sem nenhuma harmonia e tinha quase um metro de distância entre cada balão. Muito feio realmente! Aliás, qual a graça de ter dezenas de bolas de ar espalhadas pelo teto? Deu um trabalho do cão (pra mim, pelo menos), ficou a maior sujeira depois com os pedaços de balões estourados espalhados pelo chão e ainda deixou o pátio com um aspecto de trabalho mal feito. Pode ter custado só R$ 2,00 cada pacote, mas a relação custo / benefício dessa idéia foi negativa. Parece que o primogênito não é tão “competente” assim. Bom, que isso fique registrado para 2008! O reveillon, a gente vai comemorar na praia. Graças a Deus! Acredito que ninguém vai inventar de espalhar balões pelas barraquinhas da orla... Se vocês perguntarem “o dia foi completamente inútil?”, eu respondo: “de jeito nenhum!”. Eu não tinha nada pra postar no blog esta semana. Recebi limões e fiz uma limonada! É isso que eu chamo de espírito natalino! Agora, com licença, preciso me arrumar antes que a parentada chegue. Boas Festas!

Crápula Mor

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Drops - Dezembro

Vários assuntos na mesma postagem. É assim que funciona o Drops.

CPMF, atendendo a um pedido.

Todo mundo fala, o tempo todo, sobre CPFM. Acho que não há muito para acrescentar, por isso não pretendia abordar o assunto. Mas, já que fui cobrado, digo que a extinção da CPFM foi:

Do ponto de vista da carga tributária: saudável.
Do ponto de vista fiscal: desastroso.

Também acrescentaria que o Governo mentiu quando falou que a capacidade fiscalizadora da CPMF era insubstituível. Hoje, a Receita tem instrumentos pra fiscalizar a movimentação financeira, assim como faz com o crédito. É claro que a CPFM tornava tudo mais prático, o ideal seria manter uma alíquota mínima, simbólica, apenas para fiscalização. A oposição também mentiu quando falou que os preços dos produtos iriam diminuir. A conjuntura mercadológica atual é marcada por um forte aumento de consumo. Que empresário vai diminuir preços quando a demanda está aquecida?! Infelizmente, os brasileiros foram iludidos neste ponto. O mercado financeiro já reagiu de maneira negativa, IBOVESPA despenca. O Governo vai precisar de jogo de cintura pra responder aos investidores. Qualquer medida deve ser no sentido de 1) manter o superávit primário (para que a relação dívida / PÍB continue a cair), 2) diminuir despesas (correntes ou de investimentos) e 3) aumentar alíquotas de alguns impostos (desagradável, mas inevitável na minha opinião).

No Altas Horas,

Estavam presentes: Lulu Santos, Cláudia Leite e Elba Ramalho. Colocaram um vídeo da Cláudia cantando Tim Maia em um especial promovido pelo Serginho na Bahia. O arranjo da música tava bem diferente, e os vocais... digamos, problemáticos. De volta para o estúdio, Cláudia fez aquele típico charme, dizendo que não gosta de assistir às próprias apresentações. Serginho pergunta à Elba e ao Lulu se a mesma coisa acontecia com eles. Elba confessou que também não gosta de ver vídeos dela mesma. Já o Lulu respondeu que “depende”, e explicou: “quando a apresentação é boa, gosto de ver. Sinto orgulho por ter feito aquilo. Mas quando é ruim...”. E continuou: “Em arte, existe uma grande diferença entre idealizar e realizar”. Cláudia fez uma cara, nada convincente, de quem concordava com o discurso. Chegou até a ensaiar um aplauso. Mas, tive a sensação de que ela ficou sem graça o resto do programa inteiro! Coitada. Também foi sacanagem da produção colocar um vídeo tão... infeliz. É bom ela ir se acostumando a enfrentar situações adversas. Tudo indica que a carreira solo é uma questão de tempo. Pouco tempo.


“Melhor natal da história do comércio brasileiro”.

Foi uma afirmação ousada do Ministro do Trabalho. O entusiasmo é explicado pelos dados divulgados recentemente pelo CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). A geração de empregos formais até outubro de 2007 foi a melhor já registrada¹. Outubro de 2007 foi o mês que gerou a maior quantidade de empregos formais, desde que o levantamento começou a ser feito, foram 205.260 novas vagas. O recorde anterior era de 2004. Além disso, de acordo com o IBGE, de janeiro a setembro de 2007, o PIB teve expansão de 5,3% na comparação com igual período de 2006². Já o consumo das famílias teve taxa positiva de 6%, o 16º crescimento consecutivo nessa comparação. Outra boa notícia: um estudo divulgado pelo DATAFOLHA, no dia 16, revelou que cerca de 20 milhões de brasileiros com mais de 16 anos migraram para a classe C nos últimos cinco anos³. A classe D/E encolheu de 46% do total da população para 26%. Legal!

¹http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u345688.shtml
²http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u354081.shtml
³http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u355323.shtml

Tal pai, tal filho.

Este mês, o TRE da Paraíba cassou o mandato de Cássio Cunha Lima, por ter usado o jornal oficial do estado em benefício próprio nas eleições de 2006. O Governador já havia sido cassado, no dia 30 de Julho, pela distribuição irregular de 30 mil cheques enquanto concorria à reeleição. Em ambos os casos, a defesa recorreu. Pra quem não sabe, Cássio é filho de Ronaldo Cunha Lima, ex-deputado federal e ex-governador da Paraíba. Em 1993, Ronaldo disparou dois tiros contra o adversário político, Tarcísio de Miranda Buriti, que sobreviveu após alguns dias em coma. Dez anos depois do crime, Buriti morreu de falência múltipla dos órgãos. Para escapar do julgamento no Supremo Tribunal Federal, Ronaldo renunciou ao cargo no Congresso. A ação penal seguirá para o Tribunal do Júri de João Pessoa. Tanto pai, quanto filho são do PSDB. Será que a repercussão dos casos seria a mesma se os envolvidos fossem de um certo partido?

¹http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL212269-5601,00-TRE+CASSA+MANDATO+DO+GOVERNADOR+DA+PARAIBA+CASSIO+CUNHA+LIMA.html

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Uma data cheia de simbolismo.

No dia 10 de dezembro, comemorou-se o dia internacional dos direitos humanos, mesma data do aniversário da menina que ficou encarcerada com mais de 20 homens no Pará. Em São Paulo, não se falava em outra coisa. Foi, realmente, um escândalo nacional. Alguns paraenses sentem-se injustiçados por verem sua terra retratada de maneira tão pejorativa. Quase toda a exposição que fazem do Pará envolve algo grotesco, primitivo. O caso da missionária Dorothy Stang repercutiu por todo o país, demonstrando que em algumas regiões do nosso estado prevalece uma lógica selvagem. Outros conterrâneos percebem que, mais do qualquer má intenção da mídia, existe de fato uma conjuntura calamitosa.

Ao mesmo tempo em que notícias como estas nos envergonham, chocam menos. "Exclusão" ganha um sentido muito mais profundo quando nos referimos a determinadas áreas do Brasil. Mais do que uma segregação sócio-regional, o interior do Norte e Nordeste parou no tempo. Dá a sensação de que décadas passaram apenas para o Centro-Sul. O progresso ignorou estes municípios. Não falo apenas de um desenvolvimento tecnológico, mas também de avanços na área política, econômica, social, cultural etc. Cadeia serve para deter criminosos, mas ainda deveria ser um espaço que abriga seres humanos. Não é esta a mentalidade que predomina em muitas localidades. Estado, leis, direitos humanos, das mulheres, das crianças ou adolescentes, inexistem nestas regiões.

Que proteção, indenização ou punição serão capazes de “ressarcir” o dano causado a esta adolescente? A situação é, em alguma medida, reversível? Bem, na postagem “A barbárie com requintes de crueldade”, em seu Blog¹, Lucia Hippolito avalia que há respaldo para o impeachment da Governadora, Ana Júlia Carepa. “Nesses dias, a governadora deu uma declaração. Disse, mais ou menos assim, que infelizmente, esses casos de mulheres presas em celas com homens existem mesmo no Pará. Se já tinha conhecimento de outras barbáries como estas e não tomou providências para impedir que voltassem a acontecer, a governadora incorreu em crime”, raciocinou Lucia.

A observação da jornalista foi lida em plenário, pelo Senador Mário Couto (PSDB / PA), que parece ter alguma dificuldade para raciocinar por conta própria e, obviamente, concordou com o parecer de Lucia. Mário Couto também conclamou outros senadores a tomar uma atitude. Mão Santa, Senador pelo Piauí, foi mais longe. Afirmou que o PT não sabe governar, nem o Pará, nem o Brasil. Apesar de ser do PMDB, Mão Santa sempre faz oposição ao Governo. Sua excelência levou uma surra do petista Wellington Dias, em seu estado, perdendo a eleição de 2006 para o cargo de governador em primeiro turno. Por aqui, presidiárias paraenses afirmam que a “cela mista” é comum há anos. Algumas chegaram até a engravidar, mais de uma vez².

As pessoas estão sempre muito dispostas a punir, encarcerar, vigiar, agredir. Considerando a situação da insegurança pública, é natural... Mas o problema da criminalidade não será resolvido apenas com a construção de novos presídios, repressão policial, redução da maioridade penal ou atitudes paliativas deste tipo. A violência é uma das várias crises geradas pela profunda concentração de renda. Se os cidadãos excluídos não têm direitos básicos atendidos, por que cumprir com os deveres? A sociedade precisar compreender que a questão da insegurança perpassa necessariamente pela questão social, e respeitar os direitos humanos é uma etapa imprescindível deste processo. Enquanto isto não acontece, plantamos casos como desta menina de 15 anos e colhemos cada vez mais violência.

¹ http://www.luciahippolito.globolog.com.br/">http://www.luciahippolito.globolog.com.br/
² http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u349653.shtml

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

El Chavo del Ocho

Na última semana de novembro, quem entrava no site do SBT – Sistema Brasileiro de Televisão – encontrava uma notícia em destaque sobre o sucesso da reprise de Chaves. Exibido atualmente das 19 às 20h, o seriado rende boa audiência, geralmente garante o segundo lugar (que na maior parte do tempo pertence à Record), além de funcionar como um porto-seguro para o SBT. Sempre que Silvio precisa, urgentemente, de uma atração que é certeza de sucesso, o humorístico mexicano entra em cena. Há mais de 20 anos, Chaves vem sendo reprisado. Considerando a instabilidade da programação televisiva brasileira (especialmente no SBT) é certamente uma façanha.

Outro dia, um amigo comentou: “Como pode fazer tanto sucesso? Não tem nada de mais!”. De fato. Criado pelo comediante Chespirito, Roberto Bolaños, Chaves é um programa de fórmula extremamente simples, ao mesmo tempo, genial! Apesar de ter sido criado em 1971, até hoje eu gosto muito e acho engraçado! É o tipo de atração que passa a fazer parte de um imaginário coletivo e marca uma geração. Neste caso, gerações! Qualquer pai pode colocar seu filho, de qualquer idade, para assistir a um programa como esse, sem se preocupar. Encontrei um vídeo recente que mostra a atriz Maria Antonieta de las Nieves (Chiquinha) visitando o set de filmagens. É bem comovente (VÍDEO 01). Vejam abaixo!

El Chavo del Ocho conquistou fãs por vários países da América Latina. Em países como Peru, outros programas onde apareciam os atores do seriado começaram a ser transmitidos. Na Argentina, Rubén Aguierre (professor Girafales) fez muito sucesso interpretando seu personagem em um circo, e em Porto Rico muitas das frases de Chaves se converteram em parte do diálogo cotidiano. Nos Estados Unidos, o programa ainda é transmitido pela Galavisión. Mas, nem tudo foram flores. Chespirito teve uma séria desavença com o intérprete de Kiko, Carlos Villagrán, acerca da autoria do personagem. A briga foi parar na Justiça e Villagrán lançou seu próprio programa, “Ah! que Kiko”.

Existem cenas deste programa na internet (VÍDEO 02). Pra resumir em uma palavra: bizarro. Em duas palavras: muito bizarro! A Chiquinha também se aventurou em um programa solo (VÍDEO 03). Chega a ser deprimente! Ver ela longe do pai, sendo criada por freiras é triste demais para uma comédia. Devido ao estrondoso sucesso, é possível dizer que Chaves é parte da História latino-americana. Talvez, justamente, por retratar tão bem a realidade deste continente. El Chavo del Ocho é um menino pobre, que não tem onde morar, dorme em um barril e faz qualquer coisa por um sanduíche de presunto. Quantas crianças, nas ruas, passam por situação parecida? É a tragédia que, mediada pela televisão, torna-se cômica. Encarada, de frente, no dia-a-dia, perde a graça.

Algumas curiosidades:
-"El Chavo" é uma forma curta de "chaval", que significa "garoto" em castelhano.
-"Del Ocho" é porque a emissora que transmitia o programa, no México, era sintonizada no canal 8.
- Na vida real, Chespirito é casado com a atriz que interpretava a Dona Florinda, e é irmão do ator que fazia o Godinez.

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