domingo, 13 de junho de 2010

Nordestino gosta é de “paternalismo” e “favor”, por isso Dilma lidera na região.

Na última terça-feira, o programa Entre Aspas da Globo News, apresentado por Mônica Waldvogel, discutiu sobre o dossiê (que supostamente Dilma teria encomendado para prejudicar Serra), eleições e pesquisas eleitorais. Antes de comentar com vocês as cavalices que falaram no Entre Aspas, eu sugiro uma reflexão sobre os convidados do programa. Um jornalista como Luís Nassif, por exemplo, seria convidado? Não, obviamente. Porque ele falaria coisas que não interessam à Globo News, é tido como um radical, um destemperado. Não é apenas o Nassif, qualquer pessoa que fale coisas próximas ao que ele fala, também receberia a mesma pecha, daqueles que são os racionais, os equilibrados. Ou seja, o Entre Aspas propõe – e boa parte da audiência entende – que as pessoas convidadas para falar ali serão minimamente sensatas. Pois bem, quando a apresentadora pediu possíveis explicações para a liderança de Dilma no Nordeste, um dos convidados, Humberto Dantas (da ONG Voto Consciente) afirmou o seguinte:

A característica do discurso do presidente Lula é uma característica muito próxima da forma como se faz política no Nordeste. É essa questão mais paternalista. [...] Eu tenho família no Rio Grande do Norte, eu acompanho muito a política do Rio Grande do Norte. A forma do político no RN, por exemplo, se dirigir ao cidadão [...] é uma forma muito diferente da forma, por exemplo, que ocorre em São Paulo. [...] O discurso do presidente Lula é um discurso que gruda muito nessa ‘lógica Nordeste’. Uma lógica mais paternalista. [...] De uma oferta, do ‘eu vou resolver seu problema’, ‘deixa que a gente tá fazendo’”. Já no Sul e Sudeste haveria, segundo o especialista, uma percepção de política enquanto direito. Em 2006, Alckmin teria tentado explicar que é preciso transformar “política de governo em política de Estado”. Algumas regiões do país teriam isso de maneira mais clara, “até por conta de questões de colonização, a gente tem uma figura do alemão muito forte no Sul, que vem com uma outra mentalidade”. “Que vem com uma outra cultura”, complementou Waldvogel.

Vocês conseguem imaginar algo mais radical, absurdo, fundamentalista do que o que este rapaz afirmou? Pra que o nível de vocabulário do blog permaneça formal, eu vou me furtar a comentar aqui o tal do traço alemão (ou seria ariano? Não me surpreenderia se a presunção da elite paulista chegasse a esse ponto...). Mas, como alguém em sã consciência ignora todos os fatores concretos e objetivos que levam a folgada vitória de Dilma no Nordeste? As políticas públicas do Governo Lula, naquilo que diz respeito a Programas Sociais, financiamento da agricultura familiar, compra da produção dos pequenos produtores, Restaurantes Populares, Luz Para Todos, Microcrédito (especialmente, por meio do Banco do Nordeste), valorização do Salário Mínimo etc. etc. Tudo isso tem um impacto positivo tremendo nas regiões mais pobres, como é historicamente o caso do Nordeste brasileiro. Seria impensável que a candidatura governista não estivesse à frente nesta região, por razões materiais, de aumento da qualidade de vida da população. Não por “discursos”, paternalismos, muito menos favores.

O cientista político faz todo um contorcionismo retórico pra ignorar o óbvio. Chama de paternalismo um conjunto de políticas públicas que tem promovido forte mobilidade social, gerado emprego e reconfigurado as regiões mais pobres e, conseqüentemente, a totalidade do país. A apresentadora também tenta desmontar este argumento, alegando que Lula tenta dividir o país entre ricos e pobres, entre elites e trabalhadores, mas a pesquisa Ibope teria mostrado que não há diferenças nas intenções de votos, quando se faz o recorte por classe social. Mentira! A última pesquisa Ibope mostra exatamente que Dilma tem 11% de vantagem entre os que ganham até 1 sm; enquanto Serra tem 9% a mais entre os que ganham mais de 5 sm. Espertamente, Waldvogel mostrou os gráficos da pesquisa estratificados por regiões e por gênero, mas não mostrou pelo critério de renda, que desmontaria a tese de sua preferência. Infelizmente, há uma evidente divisão no Brasil entre ricos e pobres. Ela não foi criada artificialmente por Lula, ela é histórica. O presidente não ignorou esta realidade (como faz a jornalista). Ao contrário, ele tem contribuído para amenizá-la.

Trecho do Programa Entre Aspas do dia 08 de junho (talvez demore um pouco pra carregar)


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Um comentário:

  1. Sr. Crápula,
    Essa gente é tão ridícula, que não os assisto há anos e nem vale a pena comentar! Um abraço!

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