terça-feira, 6 de maio de 2008

A versão da Globo para o sucesso de Lula

Divulgada em 28 de abril, a nova pesquisa Sensus [1] coloca o Governador José Serra como franco favorito para as eleições presidenciais de 2010. O candidato governista melhor colocado continua sendo Ciro Gomes. Veja os números do cenário, por enquanto, mais provável:
Primeiro turno
- José Serra / PSDB: em fevereiro eram 38,2% - hoje são 36,4%.
- Ciro Gomes / PSB: em fevereiro eram 18,5% - hoje são 16,9%.
- Heloísa Helena / PSOL: em fevereiro eram 12,8% - hoje são 11,7%.
- Dilma Rousseff / PT: em fevereiro eram 4,5% - hoje são 6,2%.
*votariam branco, nulo ou não souberam responder 29% (em fevereiro eram 26,1%).
Segundo turno Serra x Dilma
- José Serra / PSDB: em fevereiro eram 57,9% - hoje são 53,2%.
- Dilma Rousseff / PT: em fevereiro eram 9,2% - hoje são 13,6%.

Motivo de comemoração para o PSDB. Serra apresenta boa vantagem sobre os concorrentes. No cenário com Aécio Neves, o PSDB cai para a terceira posição. O Governador de Minas, com 16,4%, ficou atrás de Ciro e Heloísa Helena. Alckmin também deixa a desejar. Com 17,2%, ficou em segundo lugar, um ponto à frente de Heloísa. Ao contrário do que pode parecer a princípio, acredito que esta pesquisa traz boas notícias para o Governo. Em comparação com o último levantamento do Sensus, a única candidata que cresceu foi Dilma Rousseff. Olhando friamente os números, este crescimento ainda não a torna uma candidata competitiva. Entretanto, outros aspectos precisam ser considerados. Neste cenário, Dilma é a única que ainda não concorreu à presidência. Todos os outros possíveis candidatos (Serra, Ciro e Heloísa Helena) já tiveram seus nomes divulgados pelo Brasil inteiro em eleições anteriores. Por isso, fica difícil apurar o real potencial da Chefe da Casa Civil. A campanha fatalmente faria Dilma crescer nas intenções de votos. A pergunta é: quanto?

Além disso, é preciso lembrar que Serra, em dezembro de 2001, tinha apenas 5% das intenções de votos. Em menos de um ano, cresceu e terminou o primeiro turno com 23%. No segundo turno, foi para 38%. Dilma ainda tem mais de 2 anos até a próxima sucessão presidencial e já está com 6,2%. Se no começo de 2010 a Ministra estiver com algo em torno de 10, 12% de intenções de votos, terá um excelente ponto de partida. O resultado é imprevisível. Se FHC, que terminou seu Governo com 23% de ótimo/bom e 35% de ruim/péssimo, fez seu candidato chegar a 38% dos votos. Imagine Lula que está com 52% de ótimo/bom e apenas 11% de ruim/péssimo. O primeiro desafio de Dilma é tornar-se a candidata natural do PT. Até poucos meses atrás, Marta Suplicy era mais citada nas pesquisas; Patrus Ananias, Ministro do Desenvolvimento Social, era frequentemente apontado como possível candidato à presidência; e muitos defendiam uma chapa com o PSB de Ciro, por falta de um nome forte. Neste momento, Dilma precisa viabilizar sua candidatura junto ao PT e à base governista.

Se isto se concretizar, ela pode começar a pensar nos verdadeiros concorrentes, das outras coligações. Aí, outro fator deverá ser analisado: a capacidade de Lula para transferir votos. E há muito que se transferir! Hoje, o presidente está com os mais altos níveis de popularidade que já apresentou.
Agora, mudando o assunto para mídia, este foi o tema de uma das edições do programa Painel, da Globo News. O apresentador, William Waaaaack, acompanhado por 3 cientistas políticos, filosofou sobre a “sensacional” aprovação do presidente, em pleno segundo mandato [2] [3]. O primeiro cientista político explica o fenômeno com 5 motivos básicos: 1º) momento econômico suis generis, com vendas de bens de consumo batendo recordes e crescimento expressivo; 2º) políticas públicas de distribuição de renda voltadas para população mais pobre; 3º) habilidade do Presidente para se comunicar com diferentes públicos; 4º) Ausência de agenda negativa no discurso do Presidente, que evita polêmicas como Reforma Trabalhista, Previdenciária, Tributária etc.; 5º) oposição incapaz de impor temas impopulares.

Até aí, nada tão grave. Tudo muito vago, abstrato, mas com alguma pertinência. Eu não esperava mesmo que fatores mais concretos, como: geração recorde de empregos, diminuição sistemática dos juros, forte aumento do poder de compra do salário mínimo, expansão e desburocratização do acesso ao microcrédito, investimento recorde da União em obras – estes, sim, verdadeiros pilares da aprovação do presidente – fossem citados. O problema maior foi mesmo o WW que fazia a tradução simultânea da fala do convidado, da maneira mais torpe possível. Com a mão estendida, enumerava todos os fatores citados pelo cientista, garantido que tudo fosse devidamente deturpado. Por exemplo, as políticas públicas, ele reduziu ao “Bolsa Família”. Que cretino! Ele sabe perfeitamente que as políticas públicas do Governo vão muito além do Bolsa Família: Conab, Pronaf, Cras, dentre outros, são programas sociais igualmente responsáveis pela ascensão social e crescimento econômico verificados no Brasil nos últimos anos. É a visão de um dos principais porta-vozes da emissora: menosprezo pelos avanços do país. Quem perde com isso não é o Brasil, é a própria Globo.

Links:

[1]http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u396388.shtml

[2]http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM812225-7823-O+FENOMENO+LULA,00.html

[3]http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM812222-7823-INSTITUICOES+NACIONAIS,00.html

Áudio de trechos do programa Painel:

video

4 comentários:

  1. Renan.

    Ahahahah. Então quer dizer que, por esse caras, o Lula tem sorte. Mesmo quando o analista do meio disse que O governo fez coisas certas, que ele foi muito competente em manter a política macroeconômica do governo exterior, etc. O Wiliam Wack deve ter dormido satisfetissimo depois desta entrevista.

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  2. Obrigado pela visita.
    Está no meu favorito. vou, hora que tiver um tempinho, lincar lá no meu blog.

    abraço, js

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  3. Crapula, sempre visito o seu blog. Gosto muito do que e como escreve, pena que você seja preguiçoso e escreva pouco(rss).
    Abraço

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  4. hahahahaha
    Briguilino, eu posto poucos textos, mas os que eu posto são bem longos! Quase sempre eu acho que escrevi demais! Esta postagem, por exemplo, eu poderia dividir em 2 ou 3, mas prefiro juntar tudo em uma só. Acho melhor ter 4 postagens por mês do que ter várias na semana com quase nenhum comentário, entende? É nisso que eu penso mais. Poucas pessoas comentam aqui, então prefiro reunir os comentários em uma quantidade menor de textos. Pode ser que mais pra frente eu aumente pra 5, 6 postagens no mês. Vamos ver se o Blog vai dando certo... Obrigado pela sua participação!

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